Divã
Autor: Martha Medeiros
Ano: 2009 
Páginas: 170
Editora: Objetiva
Sinopse: Divã conta a história de Mercedes - uma mulher com mais de 40, casada, filhos - que resolve fazer análise. O que começa como uma simples brincadeira acaba por se transformar num ato de libertação; poético, divertido, devastador.

O que achei:

"Você me pergunta qual é a minha dor e isso me paralisa. Não sou cleptomaníaca, viciada em drogas ou autodestrutiva, não tenho pânico noturno nem diurno, não ando nem mesmo triste, tampouco é libertadora. Quero saber, entre todas aquelas que eu sou, quem é a chefe, quem manda dentro de mim. Me confundo com tanta autoridade, já não sei bem a quem obedecer."

Em Divã conhecemos a história de Mercedes. Uma mulher de 40 anos, que vive um casamento longo e com filhos crescidos. 

É um livro fininho, aqueles que com dedicação você lê em uma sentada, mas, o li lentamente. E esse esquema funcionou bem, pois assim consegui ir no ritmo da personagem. Cada capítulo uma descoberta. Um momento. Uma análise.


"Tenho uma vontade imensa de chorar. chorar pelo que houve de bom entre nós, e pelo que houve de eterno. Chorar pelos olhares telepáticos que trocávamos, pelas mãos dadas no cinema, pelas imitações que ele fazia de mim e eu odiava, mas que era um sinal de que ele ainda me via. Chorar pelo primeiro beijo, na beira da praia, e pelo último, que talvez ainda não tenha sido dado. Chorar porque não o amo mais, ele tampouco a mim, dois adultos que decidiram seus destinos sem facadas, sem tiros e sem vulgaridade, chorar por essa sensatez, esse racionalismo, essas cicatrizes que ficam mesmo assim, chorar pelo instante em que os dois, juntos, desligam-se da tomada e tudo fica escuro. "

Diferente do filme que tem um lado mais pro humor, o livro tem uma pegada mais reflexiva. Com situações do cotidiano 
É incrível o poder da autora de conversar com você. É mesmo eu, que não sou casada, mãe ou estou na meia idade, me identifiquei em vários momentos.

Não sei se por eu ser psicóloga, e encontrar "Mercedes" na vida ou até menos por ter sido uma Mercedes deitada no divã do meu analista.

Mercedes é uma personagem carismática (Lília Cabral escolha tão perfeita), é alguém que você possivelmente conhece. Adorei o fato de como ela sempre aproveitava ao máximo as sessões de análise (nós acompanhamos no decorrer só o que se passa nesses encontros) e também de como ela estava ali aberta. Querendo se conhecer, se entender e ser.

Um ponto que amei, foi como a autora colocou o papel da análise. Sem estereótipos de "vou porque sou isso/aquilo, porque tenho problemas". Mostrando que o objetivo da análise não é curar você de uma "doença".


"Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral. Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Penso como um homem, mas sinto como mulher"

Divã é um livro que toca, te faz pensar, te faz rir e te faz ver muito além das aparências.
Este e o meu primeiro contato com a autora, mas com certeza não será o último! Que delicadeza, que jeito doce de contar a história de uma personagem tão comum de uma forma tão cheia de substância.


No fim das contas, não sei se por ter visto o filme e a minissérie antes de ler, ainda preferi a adaptação. Acredito que pelo toque de humor (tô na vibe tô na vibe!) ela me capturou mais. Mas, recomendo fortemente ambos!

“O inferno não são os outros. O inferno são os outros sem atrativos para mim.”


Sobre o autor



Filha de José Bernardo Barreto de Medeiros e Isabel Mattos de Medeiros, é colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro. Casou-se com o publicitário Luiz Telmo de Oliveira Ramos e tem duas filhas. Estudou no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, tradicional de Porto Alegre, localizado nos arredores do bairro Moinhos de Vento. Formou-se em 1982 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.
Trabalhou em propaganda e publicidade, mas logo se sentiu frustrada com a carreira. Quando seu marido recebeu uma proposta de trabalho no Chile, decidiu que uma mudança de país seria uma ótima oportunidade para dar um tempo na profissão.

Sobre a edição


A edição é estilo pocket. Sem orelhas e com páginas brancas. Apesar de achar que não é um livro que vai durar após algumas leituras, foi bem confortável de ler. As letras tem um tamanho bom e o papel não é de má qualidade. Paguei em um supermecado R$ 7,90 então foi um produto que atendeu as minhas expectativas.

Nas telinhas:

Divã, o Filme é um filme brasileiro dirigido por José Alvarenga Jr. e inspirado na obra literária de mesmo nome da autora Martha Medeiros lançado em 17 de abril de 2009. O filme conseguiu um público de 1,5 milhão de espectadores. A continuação do mesmo, foi autorizada pela Ancine. E conta no elenco com Lília Cabral (Mercedes), José Mayer, Alexandra Richter, Cauã Reymond, Reynaldo Gianecchini, Paulo Gustavo e Eduardo Lago.



Em 2011 foi feita uma minissérie exibida pela Rede Globo originalmente de 5 de abril a 24 de maio. Este se passa "depois do filme", quando Mercedes, apos receber alta do Dr Lopes, volta ao divã para ter mais respostas para os seus questionamentos.




Nota no Skoob

Beeeijos!

Tô na vibe! Tô na vibe!


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quinta-feira, 5 de maio de 2016

Resenha: Divã - Martha Medeiros

Divã
Autor: Martha Medeiros
Ano: 2009 
Páginas: 170
Editora: Objetiva
Sinopse: Divã conta a história de Mercedes - uma mulher com mais de 40, casada, filhos - que resolve fazer análise. O que começa como uma simples brincadeira acaba por se transformar num ato de libertação; poético, divertido, devastador.

O que achei:

"Você me pergunta qual é a minha dor e isso me paralisa. Não sou cleptomaníaca, viciada em drogas ou autodestrutiva, não tenho pânico noturno nem diurno, não ando nem mesmo triste, tampouco é libertadora. Quero saber, entre todas aquelas que eu sou, quem é a chefe, quem manda dentro de mim. Me confundo com tanta autoridade, já não sei bem a quem obedecer."

Em Divã conhecemos a história de Mercedes. Uma mulher de 40 anos, que vive um casamento longo e com filhos crescidos. 

É um livro fininho, aqueles que com dedicação você lê em uma sentada, mas, o li lentamente. E esse esquema funcionou bem, pois assim consegui ir no ritmo da personagem. Cada capítulo uma descoberta. Um momento. Uma análise.


"Tenho uma vontade imensa de chorar. chorar pelo que houve de bom entre nós, e pelo que houve de eterno. Chorar pelos olhares telepáticos que trocávamos, pelas mãos dadas no cinema, pelas imitações que ele fazia de mim e eu odiava, mas que era um sinal de que ele ainda me via. Chorar pelo primeiro beijo, na beira da praia, e pelo último, que talvez ainda não tenha sido dado. Chorar porque não o amo mais, ele tampouco a mim, dois adultos que decidiram seus destinos sem facadas, sem tiros e sem vulgaridade, chorar por essa sensatez, esse racionalismo, essas cicatrizes que ficam mesmo assim, chorar pelo instante em que os dois, juntos, desligam-se da tomada e tudo fica escuro. "

Diferente do filme que tem um lado mais pro humor, o livro tem uma pegada mais reflexiva. Com situações do cotidiano 
É incrível o poder da autora de conversar com você. É mesmo eu, que não sou casada, mãe ou estou na meia idade, me identifiquei em vários momentos.

Não sei se por eu ser psicóloga, e encontrar "Mercedes" na vida ou até menos por ter sido uma Mercedes deitada no divã do meu analista.

Mercedes é uma personagem carismática (Lília Cabral escolha tão perfeita), é alguém que você possivelmente conhece. Adorei o fato de como ela sempre aproveitava ao máximo as sessões de análise (nós acompanhamos no decorrer só o que se passa nesses encontros) e também de como ela estava ali aberta. Querendo se conhecer, se entender e ser.

Um ponto que amei, foi como a autora colocou o papel da análise. Sem estereótipos de "vou porque sou isso/aquilo, porque tenho problemas". Mostrando que o objetivo da análise não é curar você de uma "doença".


"Quem me vê caminhando na rua, de salto alto e delineador, jura que sou tão feminina quanto as outras: ninguém desconfia do meu hermafroditismo cerebral. Adoro massas cinzentas, detesto cor-de-rosa. Penso como um homem, mas sinto como mulher"

Divã é um livro que toca, te faz pensar, te faz rir e te faz ver muito além das aparências.
Este e o meu primeiro contato com a autora, mas com certeza não será o último! Que delicadeza, que jeito doce de contar a história de uma personagem tão comum de uma forma tão cheia de substância.


No fim das contas, não sei se por ter visto o filme e a minissérie antes de ler, ainda preferi a adaptação. Acredito que pelo toque de humor (tô na vibe tô na vibe!) ela me capturou mais. Mas, recomendo fortemente ambos!

“O inferno não são os outros. O inferno são os outros sem atrativos para mim.”


Sobre o autor



Filha de José Bernardo Barreto de Medeiros e Isabel Mattos de Medeiros, é colunista do jornal Zero Hora de Porto Alegre, e de O Globo, do Rio de Janeiro. Casou-se com o publicitário Luiz Telmo de Oliveira Ramos e tem duas filhas. Estudou no Colégio Nossa Senhora do Bom Conselho, tradicional de Porto Alegre, localizado nos arredores do bairro Moinhos de Vento. Formou-se em 1982 na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), em Porto Alegre.
Trabalhou em propaganda e publicidade, mas logo se sentiu frustrada com a carreira. Quando seu marido recebeu uma proposta de trabalho no Chile, decidiu que uma mudança de país seria uma ótima oportunidade para dar um tempo na profissão.

Sobre a edição


A edição é estilo pocket. Sem orelhas e com páginas brancas. Apesar de achar que não é um livro que vai durar após algumas leituras, foi bem confortável de ler. As letras tem um tamanho bom e o papel não é de má qualidade. Paguei em um supermecado R$ 7,90 então foi um produto que atendeu as minhas expectativas.

Nas telinhas:

Divã, o Filme é um filme brasileiro dirigido por José Alvarenga Jr. e inspirado na obra literária de mesmo nome da autora Martha Medeiros lançado em 17 de abril de 2009. O filme conseguiu um público de 1,5 milhão de espectadores. A continuação do mesmo, foi autorizada pela Ancine. E conta no elenco com Lília Cabral (Mercedes), José Mayer, Alexandra Richter, Cauã Reymond, Reynaldo Gianecchini, Paulo Gustavo e Eduardo Lago.



Em 2011 foi feita uma minissérie exibida pela Rede Globo originalmente de 5 de abril a 24 de maio. Este se passa "depois do filme", quando Mercedes, apos receber alta do Dr Lopes, volta ao divã para ter mais respostas para os seus questionamentos.




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Beeeijos!

Tô na vibe! Tô na vibe!