Uma, Duas
Autor: Eliane Brum
Ano: 2011
Páginas: 176
Editora: LeYa Brasil
Sinopse: Esta obra trata da relação entre mãe e filha. Desde que seu pai deixou a família, diante de circunstâncias surpreendentes, a jornalista Laura e sua mãe, Maria Lúcia, mantêm uma relação distante, quase inexistente. Porém, um sério problema de saúde de Maria Lúcia acaba forçando a convivência das duas novamente.

O que achei:

"A vida é caos e nem sempre tem o sentido que a gente quer dar a ela. Mas há verdades nessa realidade que só a ficção aguenta."

O livro conta a história de duas mulheres. Uma mãe e uma filha.
O relacionamento delas é distante, quase inexistente. Laura sente um verdadeiro ódio da mãe. E quando a mãe fica doente ela é chamada para socorrer e ter que conviver com essa mãe que ela tanto despreza.

O "motivo" para tal ódio é apresentado aos poucos. Assim como conhecemos um pouco da vida da mãe e o que pode ter levado ela a ter determinados comportamentos com a filha.

O livro tem aquele toque angustiante, que chega como quem não quer nada e te joga ali. Em meio a um conflito entre dois seres que "socialmente" deveriam se amar incondicionalmente.


“Eu mamo. De noite eu mamo no peito da minha mãe. E depois eu durmo. Meu pai foi embora porque era ele que devia mamar, não eu.”
“E você gosta do peito? Você gosta de mamar no peito da sua mãe?”

“Não. Sim.”

Afinal, não dizem que: "o instinto materno já nasce com a mulher" ou até mesmo "o sonho de toda mulher é se tornar mãe"? Será?

É importante destacar ainda que este é um livro "interpretativo".

Li este livro em parceria com a @radijapraia é mesmo ambas gostando muito, tivemos vários sentimentos "igualmente diferentes". Em cada uma o livro tocou de uma forma, tanto o ponto de vista materno ou o da filha. E é por isso que destaco que este é um livro único para cada um que lê. 

Confesso que as partes que contavam a história da mãe foram as mais difíceis para mim. Cada linha gera uma angústia. Um desespero. Uma incapacidade. A forma como a autora te introduz na história dessa personagem que você aprendeu a odiar no início é incrível. De uma forma tão singela que você se vê em um outro "mundo" sem sentir que saiu do primeiro.

''Laura pode espernear, mas ela nasceu do meu corpo. Como um câncer.''

De certa forma você não sabe onde começa Laura e onde termina Maria Lúcia.

'' E logo o remorso, o maldito remorso que sempre vem como uma gastura no estômago. Sua gastrite tem nome e sobrenome e um dia se chamou útero.'' 

Por fim, posso destacar este livro como uma leitura fascinante, instigadora e cruel. Abordando uma relação considerada por muitos como algo sagrado. Com personagens com erros e acertos. Personagens que foram resultado de um mundo cru. Quem está certo? Quem está errado? Nunca saberemos. O que é verdade afinal de contas?

Não sei até que ponto recomendo este livro. Acredito que a experiência ideal é pegar como eu peguei. Que a Radija o indicou para lermos juntas e eu li. Sem saber o que esperar e onde ela estava me jogando 😂.

Foi difícil sim, acredito que nem hoje consigo reunir os sentimentos que o livro me causou. É uma leitura rapidinha, mas cheia de substância. Você lê em uma sentada, mas é difícil levantar depois. Porém, ele é um livro que pede que você o deixe levar

E cadê o Lars Von Trier para pegar esse livro e fazer acontecer? A cara dele!! Quero ver esse filme fica a dica.



'' O que eu quero dizer é que não é porque a gente não saiba como fazer as coisas do jeito certo que a gente não ame. Eu não sabia qual era o jeito certo de amar, só isso.''

Sobre o autor



Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007), O Olho da Rua (Globo) e Dignidade! (Leya). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada.

Sobre a edição:

Li no kindle, mas eu achei a arte de capa muito linda.

Nota no Skoob


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segunda-feira, 11 de abril de 2016

Resenha: Uma, Duas - Eliane Brum

Uma, Duas
Autor: Eliane Brum
Ano: 2011
Páginas: 176
Editora: LeYa Brasil
Sinopse: Esta obra trata da relação entre mãe e filha. Desde que seu pai deixou a família, diante de circunstâncias surpreendentes, a jornalista Laura e sua mãe, Maria Lúcia, mantêm uma relação distante, quase inexistente. Porém, um sério problema de saúde de Maria Lúcia acaba forçando a convivência das duas novamente.

O que achei:

"A vida é caos e nem sempre tem o sentido que a gente quer dar a ela. Mas há verdades nessa realidade que só a ficção aguenta."

O livro conta a história de duas mulheres. Uma mãe e uma filha.
O relacionamento delas é distante, quase inexistente. Laura sente um verdadeiro ódio da mãe. E quando a mãe fica doente ela é chamada para socorrer e ter que conviver com essa mãe que ela tanto despreza.

O "motivo" para tal ódio é apresentado aos poucos. Assim como conhecemos um pouco da vida da mãe e o que pode ter levado ela a ter determinados comportamentos com a filha.

O livro tem aquele toque angustiante, que chega como quem não quer nada e te joga ali. Em meio a um conflito entre dois seres que "socialmente" deveriam se amar incondicionalmente.


“Eu mamo. De noite eu mamo no peito da minha mãe. E depois eu durmo. Meu pai foi embora porque era ele que devia mamar, não eu.”
“E você gosta do peito? Você gosta de mamar no peito da sua mãe?”

“Não. Sim.”

Afinal, não dizem que: "o instinto materno já nasce com a mulher" ou até mesmo "o sonho de toda mulher é se tornar mãe"? Será?

É importante destacar ainda que este é um livro "interpretativo".

Li este livro em parceria com a @radijapraia é mesmo ambas gostando muito, tivemos vários sentimentos "igualmente diferentes". Em cada uma o livro tocou de uma forma, tanto o ponto de vista materno ou o da filha. E é por isso que destaco que este é um livro único para cada um que lê. 

Confesso que as partes que contavam a história da mãe foram as mais difíceis para mim. Cada linha gera uma angústia. Um desespero. Uma incapacidade. A forma como a autora te introduz na história dessa personagem que você aprendeu a odiar no início é incrível. De uma forma tão singela que você se vê em um outro "mundo" sem sentir que saiu do primeiro.

''Laura pode espernear, mas ela nasceu do meu corpo. Como um câncer.''

De certa forma você não sabe onde começa Laura e onde termina Maria Lúcia.

'' E logo o remorso, o maldito remorso que sempre vem como uma gastura no estômago. Sua gastrite tem nome e sobrenome e um dia se chamou útero.'' 

Por fim, posso destacar este livro como uma leitura fascinante, instigadora e cruel. Abordando uma relação considerada por muitos como algo sagrado. Com personagens com erros e acertos. Personagens que foram resultado de um mundo cru. Quem está certo? Quem está errado? Nunca saberemos. O que é verdade afinal de contas?

Não sei até que ponto recomendo este livro. Acredito que a experiência ideal é pegar como eu peguei. Que a Radija o indicou para lermos juntas e eu li. Sem saber o que esperar e onde ela estava me jogando 😂.

Foi difícil sim, acredito que nem hoje consigo reunir os sentimentos que o livro me causou. É uma leitura rapidinha, mas cheia de substância. Você lê em uma sentada, mas é difícil levantar depois. Porém, ele é um livro que pede que você o deixe levar

E cadê o Lars Von Trier para pegar esse livro e fazer acontecer? A cara dele!! Quero ver esse filme fica a dica.



'' O que eu quero dizer é que não é porque a gente não saiba como fazer as coisas do jeito certo que a gente não ame. Eu não sabia qual era o jeito certo de amar, só isso.''

Sobre o autor



Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de um romance - Uma Duas (LeYa) - e de três livros de reportagem: Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007), O Olho da Rua (Globo) e Dignidade! (Leya). E codiretora de dois documentários: Uma História Severina e Gretchen Filme Estrada.

Sobre a edição:

Li no kindle, mas eu achei a arte de capa muito linda.

Nota no Skoob