Sal
Autor: Letícia Wierzchowski 
Ano: 2013
Páginas: 240
Editora: Intrínseca
Sinopse: Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva. Sob sua luz vacilante, a matriarca da família Godoy reconstitui as cicatrizes do passado. Em sua interminável tapeçaria, Cecília entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um. Com uma linguagem poética, a premiada escritora gaúcha Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres, dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando uma história delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.

O que achei:




"O farol pusera-se triste, meio demente de saudades. Afundava barcos por capricho, enlouquecendo nas noites de tormenta, assim como Cecília quase enlouquecia na sua cama, ouvindo os gemidos do vento e a reclamação contínua das ondas lá na praia como se fossem os seus filhos chorando quando eram crianças..."

Sal narra a história da família Godoy, cujos membros moram na isolada ilha La Duiva, local onde cuidam de um farol. O casal Ivan, Cecília e os seis filhos: Lucas, Orfeu, Tiberius, Julieta e as gêmeas Eva e Flora.

Flora, uma das narradoras principais, nos apresenta a historia dos outros personagens de forma atípica. Porém, cada personagem é uma cor. É um sentimento. Cada personagem tem o seu sentido de estar ali.

Cada voz traz erros e acertos. Atitudes humanas (ate demais) que despertou em mim diversos sentimentos. Cada voz é impar, mas se completa. Vi uma resenha em que a pessoa colocava o livro como uma "colcha de retalhos". E achei maravilhoso ver como isso é realmente o que o livro é. 

“Ás vezes, entre uma página e outra, eu levantava os olhos para a vida ao meu redor.”

Pequenos fragmentos, uns ásperos e outros macios, uns coloridos e outros cinzas... Mas que ali. Costurados com esmero se completam perfeitamente.

“Palavras. Eu colecionava palavras. Varanda, faiança, ametista, ventríloquo, rubéola, ampola, cripta , madeixa, cintilância, amêndoa. Eu as saboreava como se elas tivessem gosto, e o sumo das palavras preferidas escorria pela minha boca.”

Comprei "Sal", confesso, por impulso, por causa da autora. Leticia Wierzchowski é uma autora que eu "nem conheço e ja considero pakas" sabe? Haha eu sou completamente apaixonada pela minissérie "A casa das sete mulheres" e vi em "Sal" a oportunidade de conhecer a escrita da autora antes de pegar a obra que originou a minissérie.

E eis, para o meu deleite, que Leticia escreve de forma singela. Doce e delicada. É um belo exemplo de como a literatura nacional não pode ser negligenciada.

A narrativa não segue uma linha reta. São diferentes pontos de vistas, fala de passado e também de presente e é escrito em primeira e em terceira pessoa. No começo eu senti uma dificuldade de me acostumar por não saber ao certo o que/quem o capítulo abordava até aparecer o nome da pessoa pelo meio rsrs.

As lembranças são apresentadas sem aquele enfadonho "fato atual citando algo + lembrança daquele fato". Os fatos sempre são novos. Uma lembrança que parece solta, mas que faz todo o sentido de estar ali. Naquele momento.

"Meu mundo de ficção se alicerçava neste outro, o real, o mundo para além da página, onde eu respirava."

Sal causa um aperto no peito. Uma tristeza e um sentimento de vazio que não sabemos de onde vem, mas fica ali. Como um farol.

Um farol que ao ser atingido pela perda de uma pessoa amada, está de luto.  Enlouquecido, seu pulso está desorientado. Descontando sua ira em embarcações, causando catástrofes.

Sempre achei que existia algo mágico a respeito dos faróis. Algo melancólico e misterioso. Um facho de luz em meio a uma imensidão de água. 

Sal é sincero. É sereno mesmo em meio a tormenta. É inesquecível.

"Quando comecei, não sabia exatamente o que estava buscando. Não era pedra e não era água. Procurei no alto e não encontrei nada. Procurei no chão e para além dele. Para além de tudo".

Sobre o autor

Antes de se dedicar às letras, começou a cursar a faculdade de arquitetura, que não chegou a completar. Foi proprietária de uma confecção de roupas e trabalhou no escritório de construção civil de seu pai. Enquanto trabalhava neste último emprego, começou a escrever ficção.
Seu romance de estreia, publicado em 1998 e relançado em 2001, O anjo e o resto de nós, conta a saga da família Flores, ambientada no início do século XX no interior do Rio Grande do Sul.
A escritora gaúcha Martha Medeiros sugeriu a leitura do primeiro romance de Letícia a um amigo paulistano de naturalidade gaúcha e descendente, como Letícia, de poloneses. O publicitário Marcelo Pires gostou tanto do livro que enviou, em dezembro de 1998, um e-mail à autora e ambos passaram a se corresponder regularmente pela rede. Menos de um ano após a primeira mensagem, em 17 de setembro de 1999, Letícia e Marcelo casaram-se. Na cerimônia de casamento, o casal distribuiu aos convidados um pequeno livro com algumas das mensagens trocadas por eles. Um dos participantes da festa, o editor Ivan Pinheiro Machado, da LP&M, acreditou que o livro poderia fazer sucesso e lançou uma edição comercial. Nascia assim, em 1999, o livro Eu@teamo.com.br, que teve suas duas edições rapidamente esgotadas.
O grande sucesso literário de Letícia viria com o romance A casa das sete mulheres, adaptado pela Rede Globo numa minissérie que foi ao ar em 2003 e reexibida em 2006. Instada por seus editores a escrever uma continuação da saga das sete mulheres gaúchas durante a Revolução Farroupilha, recusou-se de início, pois tinha outros projetos literários. No entanto, acabou cedendo às pressões e lançou Um farol no pampa, em que retoma a vida dos personagens d’A casa.
Lançou em 2006 sua décima-primeira obra, Uma ponte para Terebin,em que narra a história de seu avô polonês. Ao mesmo tempo, trabalha, em parceria com Tabajara Ruas, no roteiro cinematográfico de O Continente, baseado na obra de Érico Veríssimo.

Sobre a edição


Acredito que poucas edições da Intrínseca me desagradaram até hoje. Adorei a capa, simples e delicada assim como a história. A lombada deve uma cor diferenciada e é toda colorida. Sabe aquela cara de "eu li o livro?". Amei!

Nota no Skoob

Xx Beijos xX




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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Resenha: Sal - Letícia Wierzchowski

Sal
Autor: Letícia Wierzchowski 
Ano: 2013
Páginas: 240
Editora: Intrínseca
Sinopse: Um farol enlouquecido deixa desamparados os homens do mar que circulam em torno da pequena e isolada ilha de La Duiva. Sob sua luz vacilante, a matriarca da família Godoy reconstitui as cicatrizes do passado. Em sua interminável tapeçaria, Cecília entrelaça as sinas de Ivan, seu marido, e de seus filhos ausentes, elegendo uma cor para cada um. Com uma linguagem poética, a premiada escritora gaúcha Leticia Wierzchowski, autora de A casa das sete mulheres, dá voz e vida a cada um dos integrantes da família Godoy, criando uma história delicada e surpreendente, enriquecida por múltiplos e divergentes pontos de vista.

O que achei:




"O farol pusera-se triste, meio demente de saudades. Afundava barcos por capricho, enlouquecendo nas noites de tormenta, assim como Cecília quase enlouquecia na sua cama, ouvindo os gemidos do vento e a reclamação contínua das ondas lá na praia como se fossem os seus filhos chorando quando eram crianças..."

Sal narra a história da família Godoy, cujos membros moram na isolada ilha La Duiva, local onde cuidam de um farol. O casal Ivan, Cecília e os seis filhos: Lucas, Orfeu, Tiberius, Julieta e as gêmeas Eva e Flora.

Flora, uma das narradoras principais, nos apresenta a historia dos outros personagens de forma atípica. Porém, cada personagem é uma cor. É um sentimento. Cada personagem tem o seu sentido de estar ali.

Cada voz traz erros e acertos. Atitudes humanas (ate demais) que despertou em mim diversos sentimentos. Cada voz é impar, mas se completa. Vi uma resenha em que a pessoa colocava o livro como uma "colcha de retalhos". E achei maravilhoso ver como isso é realmente o que o livro é. 

“Ás vezes, entre uma página e outra, eu levantava os olhos para a vida ao meu redor.”

Pequenos fragmentos, uns ásperos e outros macios, uns coloridos e outros cinzas... Mas que ali. Costurados com esmero se completam perfeitamente.

“Palavras. Eu colecionava palavras. Varanda, faiança, ametista, ventríloquo, rubéola, ampola, cripta , madeixa, cintilância, amêndoa. Eu as saboreava como se elas tivessem gosto, e o sumo das palavras preferidas escorria pela minha boca.”

Comprei "Sal", confesso, por impulso, por causa da autora. Leticia Wierzchowski é uma autora que eu "nem conheço e ja considero pakas" sabe? Haha eu sou completamente apaixonada pela minissérie "A casa das sete mulheres" e vi em "Sal" a oportunidade de conhecer a escrita da autora antes de pegar a obra que originou a minissérie.

E eis, para o meu deleite, que Leticia escreve de forma singela. Doce e delicada. É um belo exemplo de como a literatura nacional não pode ser negligenciada.

A narrativa não segue uma linha reta. São diferentes pontos de vistas, fala de passado e também de presente e é escrito em primeira e em terceira pessoa. No começo eu senti uma dificuldade de me acostumar por não saber ao certo o que/quem o capítulo abordava até aparecer o nome da pessoa pelo meio rsrs.

As lembranças são apresentadas sem aquele enfadonho "fato atual citando algo + lembrança daquele fato". Os fatos sempre são novos. Uma lembrança que parece solta, mas que faz todo o sentido de estar ali. Naquele momento.

"Meu mundo de ficção se alicerçava neste outro, o real, o mundo para além da página, onde eu respirava."

Sal causa um aperto no peito. Uma tristeza e um sentimento de vazio que não sabemos de onde vem, mas fica ali. Como um farol.

Um farol que ao ser atingido pela perda de uma pessoa amada, está de luto.  Enlouquecido, seu pulso está desorientado. Descontando sua ira em embarcações, causando catástrofes.

Sempre achei que existia algo mágico a respeito dos faróis. Algo melancólico e misterioso. Um facho de luz em meio a uma imensidão de água. 

Sal é sincero. É sereno mesmo em meio a tormenta. É inesquecível.

"Quando comecei, não sabia exatamente o que estava buscando. Não era pedra e não era água. Procurei no alto e não encontrei nada. Procurei no chão e para além dele. Para além de tudo".

Sobre o autor

Antes de se dedicar às letras, começou a cursar a faculdade de arquitetura, que não chegou a completar. Foi proprietária de uma confecção de roupas e trabalhou no escritório de construção civil de seu pai. Enquanto trabalhava neste último emprego, começou a escrever ficção.
Seu romance de estreia, publicado em 1998 e relançado em 2001, O anjo e o resto de nós, conta a saga da família Flores, ambientada no início do século XX no interior do Rio Grande do Sul.
A escritora gaúcha Martha Medeiros sugeriu a leitura do primeiro romance de Letícia a um amigo paulistano de naturalidade gaúcha e descendente, como Letícia, de poloneses. O publicitário Marcelo Pires gostou tanto do livro que enviou, em dezembro de 1998, um e-mail à autora e ambos passaram a se corresponder regularmente pela rede. Menos de um ano após a primeira mensagem, em 17 de setembro de 1999, Letícia e Marcelo casaram-se. Na cerimônia de casamento, o casal distribuiu aos convidados um pequeno livro com algumas das mensagens trocadas por eles. Um dos participantes da festa, o editor Ivan Pinheiro Machado, da LP&M, acreditou que o livro poderia fazer sucesso e lançou uma edição comercial. Nascia assim, em 1999, o livro Eu@teamo.com.br, que teve suas duas edições rapidamente esgotadas.
O grande sucesso literário de Letícia viria com o romance A casa das sete mulheres, adaptado pela Rede Globo numa minissérie que foi ao ar em 2003 e reexibida em 2006. Instada por seus editores a escrever uma continuação da saga das sete mulheres gaúchas durante a Revolução Farroupilha, recusou-se de início, pois tinha outros projetos literários. No entanto, acabou cedendo às pressões e lançou Um farol no pampa, em que retoma a vida dos personagens d’A casa.
Lançou em 2006 sua décima-primeira obra, Uma ponte para Terebin,em que narra a história de seu avô polonês. Ao mesmo tempo, trabalha, em parceria com Tabajara Ruas, no roteiro cinematográfico de O Continente, baseado na obra de Érico Veríssimo.

Sobre a edição


Acredito que poucas edições da Intrínseca me desagradaram até hoje. Adorei a capa, simples e delicada assim como a história. A lombada deve uma cor diferenciada e é toda colorida. Sabe aquela cara de "eu li o livro?". Amei!

Nota no Skoob

Xx Beijos xX