Mar Morto
Autor: Jorge Amado
Ano: 2008
Páginas: 288
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: A vida dos marinheiros no cais de Salvador, com sua rica mitologia que gira em torno de Iemanjá, é o tema central de Mar morto, um painel lírico e trágico sobre a luta diária desses trabalhadores pela sobrevivência. Personagens como o jovem mestre de saveiro Guma parecem prisioneiros de um destino traçado há muitas gerações: os homens saem para o mar que um dia os tragará, levando-os com Iemanjá para as lendárias terras de Aiocá, e as mulheres os esperam resignadas no cais. No dia em que eles não voltarem, elas cairão na miséria ou na prostituição. Lívia, amada que busca em vão libertar Guma do chamado do mar, desempenhará um papel pioneiro na mudança de condição da mulher.  Em torno de Guma e Lívia entrelaçam-se os dramas de inúmeros personagens muito vívidos: do preto Rufino e sua volúvel mulata Esmeralda; do velho Francisco, tio de Guma, que conserta redes desde que se tornou incapaz de enfrentar o mar; da valente e desbocada Rosa Palmeirão, de punhal no peito e navalha na saia. É com grande lirismo que Jorge Amado narra esse cotidiano de trabalho árduo, marcado pelo risco de vida que se apresenta a todo momento. Em Mar morto, homens e mulheres do cais da Bahia vivem cada dia como se fosse o último. Paixão e trabalho, instinto e sobrevivência se conjugam de maneira trágica.

O que achei

"Mar morto", romance publicado em 1936 é uma das principais obras de Jorge Amado.
Este foi o meu primeiro livro do autor e de início, confesso que me incomodou a repetição de algumas palavras na mesma frase, aquele estilo de escrever diferente do que eu estava acostumada. Ate que eu realmente prestei atenção na sonoridade (as vezes quando eu não estou entendendo algo, eu leio em voz alta) e vi que ali tinha uma sonoridade literária. Uma coisa meio cantada. Que depois, ao invés de achar estranho, passei ate a achar que deixou os capítulos mais bonitos. 

"O mar é amigo, o mar é doce amigo para todos aqueles que vivem nele. E Lívia sente o gosto de mar da carne de Guma. O "valente" balança como uma rede. Uma voz, que não se sabia ao certo de onde vinha, cantava: É doce morrer no mar."

E que coisa linda é a escrita do Jorge Amado. É tão bonito o orgulho que ele passa da terra através da escrita dele. E pensar que ele tinha somente 24 anos quando escreveu Mar Morto! A forma que ele descreve aquele povo dali, aquele povo sofredor, e que mesmo com tanta dificuldade não deixa de seguir o seu acreditando no seu destino. Que é morrer no mar. Eu sou uma grande amante de histórias mitológicas, e é isso que Jorge Amado nos apresenta. A mitologia daquele lugar. Em que uma deusa do mar, Iemanjá, ou Janaina, é quem ama e castiga os seus filhos. 
Aqui conhecemos uma história de amor. O amor de Lívia e Guma. Da vida difícil dos trabalhadores do mar. Da dor da espera das suas amadas no cais. Da duvida se os seus amantes, maridos, amados chegarão bem ou se seguirão o seu destino e serão levados pela Iemanjá. A deusa do mar. Aquela que sempre deseja que os seus filhos venham, mais cedo ou mais tarde, ao seu encontro no mundo das águas. 
Os personagens são muito bem construídos. E até aqueles que não aparecem tanto tem a sua importância na trama. E que personagem maravilhosa é Esmeralda, a mulata do negro Rufino, que ao mesmo tempo você odeia e também ama. Incrível.

O romance aqui não é aquele velho romance água com açúcar. É real, é carne e coração. É verdadeiro, mas é fraco. É fraco, mas é forte. É curto, mas é eterno.

O livro é dividido em três partes: "Iemanjá, dona dos mares e dos saveiros", "O paquete voador" e "Mar Morto" e todos os três são subdivididos em vários capítulos. 

"Mar Morto" é um livro belo. Poético e, assim como uma canção, nos embalam entre as suas páginas e nós levam para longe de tudo. É cheio de tragédia, de paixão e de intrigas. Um prato cheio.

Bem. Assim contavam na beira do cais. 

Este livro foi empréstimo da minha amiga do @umdiamelivro na nossa troca de livros favoritos. Obrigada Amiga pela bela experiência de leitura! 

"O canto vinha de longe
De la do meio do mar
Não era canto de gente
Bonito de admirar

O corpo todo estremece
Muda cor do céu do luar

Um dia ela ainda aparece
É a rainha do mar

Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar 

Quem ouve desde menino
Aprende a acreditar
Que o vento sopra o destino
Pelos caminhos do mar

O pescador que conhece
as historias do lugar
morre de medo e vontade
de encontrar Yemanja ♪

Sobre o autor


Jorge Amado foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.

Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa. 

Sobre a edição


A edição que a Andresa me emprestou é a comemorativa de 100 anos, da editora Companhia das Letras. A editora caprichou como sempre. A diagramação é ótima e confortável para ler. Adorei! Quero ler os outros livros do Jorge dessa mesma edição ♥

Nas telinhas:

Mar Morto foi adaptado para uma novela (junto com A descoberta da América Pelos Turcos) da Rede Globo com o nome de "Porto dos Milagres" e escrita pelos autores Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Foi transmitida no ano de 2001 com Marcos Palmeiras como Guma, Flávia Alessandra como Lívia e a gatissima Camila Pitanga como a Esmeralda. Foi na época um grande sucesso de audiência. 





A abertura da novela era embalada pela música "Caminhos do Mar" da cantora Gal Costa. Eu amava!

Nota no Skoob


XX Beijos XX


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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Resenha: Mar Morto - Jorge Amado

Mar Morto
Autor: Jorge Amado
Ano: 2008
Páginas: 288
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: A vida dos marinheiros no cais de Salvador, com sua rica mitologia que gira em torno de Iemanjá, é o tema central de Mar morto, um painel lírico e trágico sobre a luta diária desses trabalhadores pela sobrevivência. Personagens como o jovem mestre de saveiro Guma parecem prisioneiros de um destino traçado há muitas gerações: os homens saem para o mar que um dia os tragará, levando-os com Iemanjá para as lendárias terras de Aiocá, e as mulheres os esperam resignadas no cais. No dia em que eles não voltarem, elas cairão na miséria ou na prostituição. Lívia, amada que busca em vão libertar Guma do chamado do mar, desempenhará um papel pioneiro na mudança de condição da mulher.  Em torno de Guma e Lívia entrelaçam-se os dramas de inúmeros personagens muito vívidos: do preto Rufino e sua volúvel mulata Esmeralda; do velho Francisco, tio de Guma, que conserta redes desde que se tornou incapaz de enfrentar o mar; da valente e desbocada Rosa Palmeirão, de punhal no peito e navalha na saia. É com grande lirismo que Jorge Amado narra esse cotidiano de trabalho árduo, marcado pelo risco de vida que se apresenta a todo momento. Em Mar morto, homens e mulheres do cais da Bahia vivem cada dia como se fosse o último. Paixão e trabalho, instinto e sobrevivência se conjugam de maneira trágica.

O que achei

"Mar morto", romance publicado em 1936 é uma das principais obras de Jorge Amado.
Este foi o meu primeiro livro do autor e de início, confesso que me incomodou a repetição de algumas palavras na mesma frase, aquele estilo de escrever diferente do que eu estava acostumada. Ate que eu realmente prestei atenção na sonoridade (as vezes quando eu não estou entendendo algo, eu leio em voz alta) e vi que ali tinha uma sonoridade literária. Uma coisa meio cantada. Que depois, ao invés de achar estranho, passei ate a achar que deixou os capítulos mais bonitos. 

"O mar é amigo, o mar é doce amigo para todos aqueles que vivem nele. E Lívia sente o gosto de mar da carne de Guma. O "valente" balança como uma rede. Uma voz, que não se sabia ao certo de onde vinha, cantava: É doce morrer no mar."

E que coisa linda é a escrita do Jorge Amado. É tão bonito o orgulho que ele passa da terra através da escrita dele. E pensar que ele tinha somente 24 anos quando escreveu Mar Morto! A forma que ele descreve aquele povo dali, aquele povo sofredor, e que mesmo com tanta dificuldade não deixa de seguir o seu acreditando no seu destino. Que é morrer no mar. Eu sou uma grande amante de histórias mitológicas, e é isso que Jorge Amado nos apresenta. A mitologia daquele lugar. Em que uma deusa do mar, Iemanjá, ou Janaina, é quem ama e castiga os seus filhos. 
Aqui conhecemos uma história de amor. O amor de Lívia e Guma. Da vida difícil dos trabalhadores do mar. Da dor da espera das suas amadas no cais. Da duvida se os seus amantes, maridos, amados chegarão bem ou se seguirão o seu destino e serão levados pela Iemanjá. A deusa do mar. Aquela que sempre deseja que os seus filhos venham, mais cedo ou mais tarde, ao seu encontro no mundo das águas. 
Os personagens são muito bem construídos. E até aqueles que não aparecem tanto tem a sua importância na trama. E que personagem maravilhosa é Esmeralda, a mulata do negro Rufino, que ao mesmo tempo você odeia e também ama. Incrível.

O romance aqui não é aquele velho romance água com açúcar. É real, é carne e coração. É verdadeiro, mas é fraco. É fraco, mas é forte. É curto, mas é eterno.

O livro é dividido em três partes: "Iemanjá, dona dos mares e dos saveiros", "O paquete voador" e "Mar Morto" e todos os três são subdivididos em vários capítulos. 

"Mar Morto" é um livro belo. Poético e, assim como uma canção, nos embalam entre as suas páginas e nós levam para longe de tudo. É cheio de tragédia, de paixão e de intrigas. Um prato cheio.

Bem. Assim contavam na beira do cais. 

Este livro foi empréstimo da minha amiga do @umdiamelivro na nossa troca de livros favoritos. Obrigada Amiga pela bela experiência de leitura! 

"O canto vinha de longe
De la do meio do mar
Não era canto de gente
Bonito de admirar

O corpo todo estremece
Muda cor do céu do luar

Um dia ela ainda aparece
É a rainha do mar

Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar 

Quem ouve desde menino
Aprende a acreditar
Que o vento sopra o destino
Pelos caminhos do mar

O pescador que conhece
as historias do lugar
morre de medo e vontade
de encontrar Yemanja ♪

Sobre o autor


Jorge Amado foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.

Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa. 

Sobre a edição


A edição que a Andresa me emprestou é a comemorativa de 100 anos, da editora Companhia das Letras. A editora caprichou como sempre. A diagramação é ótima e confortável para ler. Adorei! Quero ler os outros livros do Jorge dessa mesma edição ♥

Nas telinhas:

Mar Morto foi adaptado para uma novela (junto com A descoberta da América Pelos Turcos) da Rede Globo com o nome de "Porto dos Milagres" e escrita pelos autores Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Foi transmitida no ano de 2001 com Marcos Palmeiras como Guma, Flávia Alessandra como Lívia e a gatissima Camila Pitanga como a Esmeralda. Foi na época um grande sucesso de audiência. 





A abertura da novela era embalada pela música "Caminhos do Mar" da cantora Gal Costa. Eu amava!

Nota no Skoob


XX Beijos XX