O Feiticeiro de Terramar (Ciclo Terramar #1)
Autor: Ursula K. Le Guin
Ano: 2016
Páginas: 176
Editora: Arqueiro
Sinopse: Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda.
Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários.

- Livro recebido através da parceira com a Editora Arqueiro. Obrigada ♥-

O que achei:


“– Quando vai começar meu aprendizado, senhor?
- Já começou – respondeu Ogion.
Fez-se silêncio, como se Ged estivesse hesitando em dizer algo.
- Mas ainda não aprendi nada!
- Porque você não descobriu o que eu estou ensinando.”


Goodreads

Em "O Feiticeiro de Terramar" conhecemos a história de Ged/Gavião, um jovem que logo cedo descobre ter poder. Para desenvolver seus talentos é convidado para ser aprendiz de Ogion, o mago de sua aldeia. O tempo passa e Ged, apesar de amar seu mestre, quer mais. Mais do que o mago lhe dá. É aí que Ged, agora Gavião, vai para Roke. Uma ilha onde ensinam uma magia mais poderosa, algo que ele estava esperando. E ali ele rapidamente se destaca e acha que está a caminho se ser o maior mago de todos. Assim como um dia alguém lhe falou que ele seria.

Um ponto muito interessante desta parte do livro é que podemos ver como o poder é perigoso. E de como ele pode "subir para a cabeça" fácil demais. Principalmente de um jovem como é o nosso protagonista. Um jovem mago que todos dizem que será grande, que será poderoso, que o seu poder é maior do que eles já viram nos últimos tempos.

Mas o que é o poder? Como conseguir lapidar um dom tão grande como o de Ged? 

Gretchen Edelen
Um ponto que eu gostei é que aqui não encontramos a típica jornada do herói. Aquele ser perfeito, com ótimas decisões e amado por todos. Pelo contrário até (se é que posso de fato determinar isso) encontramos um personagens que é influenciado pela ideia de poder, imaturo em muitos momentos e que tem algumas péssimas decisões. Mas aí você pode me questionar: Mas por que eu iria gostar de alguém assim? E aí te respondo. Porque ele é real. Tem erros, mas também tem acertos. Tem escolhas ruins, mas também lida com elas. Eu acho que faltam personagens assim hoje em dia. Encontramos muitas pessoas que não erram. E se erram são erros "socialmente aceitos" ou então de fácil conclusão.
Milan Fibigen
O personagem me lembrou por várias vezes Takezo, o personagem principalmente do mangá Vagabond. Um jovem que muitos dizem ser grande. Maior do que ele está pronto para ser. E a paciência de estar pronto é muitas vezes o maior desafio.

E é nesta gana por chegar a ser o maior mago de todos que faz Ged se perder. Em uma disputa boba com um desafeto da escola (que feriu o seu orgulho por mostrar habilidades que ele ainda não sabe) ele acaba despertando um mal. Um monstro, uma sombra, algo tão escuro que por pouco ele não morre. Cego, surdo, acamado. Tão vulnerável como ele sempre odiou estar. Se recupera aos poucos e tenta seguir em frente. Mas será que a lição foi aprendida?

Como ir contra esse mal? Mas afinal, quem é o seu maior inimigo? É isso que Ged tem que descobrir antes que seja tarde demais. 

A escrita de Úrsula é absolutamente envolvente. Apesar de simples, ela consegue com facilidade fazer com que a gente visualize o universo criado. Os personagens são marcantes (e olha que o povo vive mudando de nome, de lugar, de ideias) e eu consegui me importar com eles e com as suas decisões. Algo que eu gostei muito também é como ela tem uma forma "gráfica" de narrar. O livro é cheio de viagens e paisagens e a forma que a autora descreve é possível você visualizar os detalhes claramente do que ela quer que você veja ou sinta.

Pinterest
A sua forma de narrar me lembrou muito "Nome do Vento" e eis a minha surpresa ao ver que a autora foi inspiração para autores como Patrick Ruthfuss (autor de nome do vento) e o dono do mundo Neil Gaiman. Como não amar? Como não ser maravilhosa? Quem já leu "Nome do Vento" me diga se achou parecido também. Eu achei a forma de narrar principalmente. Aquela coisa meio "senta aqui que eu vou te contar uma história". Uma coisa meio Tolkien.

Goodreads

Por fim, destaco como está foi uma leitura super mega ultra gostosa! Bem rapidinho e que te faz sentir aquele tipo de fantasia de antigamente (o que na verdade esse livro é) estilo "Espada era a Lei" sabe? Com magos, dragões, magia e Mestre-aprendiz, e para os amantes de Harry Potter aqui temos um jovem mago aprendendo a ser grande. Super recomendo e mal posso esperar pelas continuações.

“Somente no silêncio a palavra, somente nas trevas a luz, somente na morte a vida: o voo do falcão brilha no céu vazio” 

Sobre o autor


Ursula Kroeber Le Guin escreveu romances, ensaios, contos, poesia e literatura infantil, destacando-se na Fantasia e na Ficção Científica. Os seus primeiros trabalhos foram publicados em 1960 e, desde aí, as suas obras exploram, nomeadamente, aspectos do taoísmo, anarquismo, etnografia, feminismo, psicologia e sociologia.
O Ciclo de Terramar, composto por cinco narrativas e um livro de contos, e o romance A Mão Esquerda das Trevas, parte do Ciclo de Hainish, são as suas obras mais conhecidas.

Sobre a edição:

Apesar de ser uma pessoa que sempre elogia as edições dos livros finos da Arqueiro, eu confesso que eu gostaria que esse livro fosse um pouco maior. É sim muito confortável de ler, mas eu acho que acabou ficando fino demais e não deixando uma lombada bonitinha. De resto tudo perfeito e adorei a capa com o dragão e que condiz muito com a história em ter um personagem chegando a um novo lugar.

Nota no Skoob

Beijos!


Hellraiser: Renascido do Inferno
Autor: Clive Barker
Ano: 2015
Páginas: 160
Editora: Darkside Books
Sinopse: Escrito em 1986, Hellraiser – Renascido do Inferno apresentou ao público os demoníacos Cenobitas, personagens criados por Clive Barker que hoje figuram no seleto grupo de vilões ícones da cultura pop como Jason, Leatherface ou Darth Vader. Toda a perversidade desses torturadores eternos está presente em detalhes que estimulam a imaginação dos leitores e superam, de longe, o horror do cinema. Clive Barker escreveu o romance Hellraiser – Renascido do Inferno (The Hellbound Heart, no original) já com a intenção de adaptá-lo ao cinema. O cultuado filme de 1987 seria sua estreia na direção, e ele usou o livro para mostrar todo seu talento como contador de histórias a possíveis financiadores. Nas palavras do próprio Barker: “A única maneira foi escrever o romance com a intenção específica de filmá-lo. Foi a primeira e única vez que fiz assim, e deu resultado”.

O que achei
Eu tenho cara de quem se importa com que Deus pensa?
Hellraiser é um verdadeiro clássico dos fãs dos filmes antigões trash. Com direito a muitos efeitos especiais (como um verme enorme correndo atrás de uma menina escandalosa) e muita tripa e sangue gosmento para todos os lados.

Confesso que eu não conhecia o livro que deu origem ao clássico, e assim que a @darksidebooks lançou nessa edição maravilhosa eu fiquei apaixonada. BABEEEEI!

Enfim, vamos para de babar e falar um pouco sobre o que nos interessa na verdade: A história do livro. Escrito em 1986, Hellraiser: Renascido do Inferno conta a história de Frank, um homem que adora experimentar as mais diversas formas de obtenção de prazer e que quer ir além de tudo o que já experimentou. Se depara com um cubo, a caixa de Lemarchand, que parece ser impossível de ser decifrada e que se fosse aberta, era prometido os maiores prazeres do mundo para quem realizasse o feito. Depois de muito tentar, Frank enfim consegue solucionar o cubo e ele se abre. E assim conhecemos os Cenobitas, seres de outra dimensão, que oferecem prazeres além do inimaginável.  Porém, todo desejo tem um preço. E quando tem o seu pedido realizado, Frank percebe que para os Cenobitas, prazer e dor andam lado a lado.


A forma como o autor narra essa “transformação” do personagem é tão incrivelmente descritiva que você se sente ali na cena. Então para os leitores com nojinho, eu não recomendo a obra, porque Clive usa e abusa de elementos grotescos e detalhados. Então é muita tripa, muito sangue e muita gosma não identificada para todos os lados. É incrível o poder do autor de incitar a nossa imaginação para o que ele quer.


Depois desses acontecimentos, o livro começa a se desenvolver em uma trama paralela com o casal Rory (irmão de Frank) e Julia. E claro, a amiga do casal Kirsty que é secretamente apaixonada por Rory. Nesta “segunda parte” do livro podemos, novamente, ver até onde o desejo pode nos levar. Júlia não esquece uma noite de paixão perversa que teve com o cunhado e fará de tudo para tê-lo de volta. Seja onde ele estiver. Precise ser feito o que for. E é aí que o BANHO de tripa e de sangue realmente começa. Porque sacrifícios deverão ser feitos para ela trazer o fofinho de volta. Eu gostei muito de como o autor descreveu esses momentos e principalmente de como trabalhou as emoções da Julia com o que ela precisava fazer. É possível ver que o autor ainda brinca com os nossos sentimentos assim como vemos o romance da Julia e do Frank. Ele gosta realmente dela? Ele aprendeu algo pelo o que passou?

O autor trabalha ainda com um ponto que eu gosto muito. O aspecto psicológico dos personagens. Afinal, você consegue ver que a Júlia em certos momentos perde as noções de realidade assim como de "certo e errado" pelo seu amor (ou seria obsessão?) pelo Frank. No filme (como eu menciono lá em baixo) a personagem da Kirsty é sua filha e no livro ela é sua vizinha. Eu confesso que eu entendo qual foi a intenção do autor com isso. Afinal ela ser filha acaba gerando uma empatia maior pelo por que ela liga tanto. Coisa que não acontece no livro. OK. Eu sei que ela é apaixonada por ele e tra lá lá, mas beirava a inconveniência a personagem ali todo o tempo querendo saber de tudo. Posso estar sendo chata e até mesmo tendenciosa eu sei. Mas confesso que ele comportamento dela acabou fazendo com que eu me torcesse pelo casal louco e queria sangueeeee. O que isso diz sobre mim ein? Medo. 


Por fim, confesso que este livro me surpreendeu e muito! Eu não esperava tanto, ainda mais por ser tão fino, eu jurei que seria uma história "rasa", mas me deparei com uma história bem fechadinha e até surpreendente. A escrita do autor (como já disse anteriormente) é muito fluida e até mesmo bonita. Nunca vi alguém falar de tripas e sangue de uma forma até mesmo poética. Eu amei! Talvez o tamanho seja um defeito, porque eu QUERIA MAIS! Mal posso esperar para ler Evangelho de Sangue. Recomendadíssimo.

E como Coraline dizia, "Cuidado com o que você deseja".

Pessoalmente, eu prefiro dor.
Sobre o autor:

Clive Barker (Liverpool, 5 de outubro de 1952) é um escritor, produtor de cinema, pintor e dramaturgo inglês. Clive Barker escreve o que costuma descrever como literatura Fantástica e horror. Em 2007 concluiu seu trabalho no game "Jericho". Neste momento vive em Los Angeles com o seu marido David Armstrong.

Nas telinhas:

Hellraiser - Renascido do Inferno, produzido na Grã-Bretanha em 1987. É dirigido pelo próprio autor do livro Clive Barker e conta com 94 minutos de duração.

Sinopse: Frank Cotton (Sean Chapman) é um conhecedor da depravação sexual, que busca a mais nova experiência sensual e compra um belo e intrincado cubo de quebra-cabeças. Só que Frank tem uma experiência atra com o cubo ao resolver o enigma e abrir as portas do Inferno e do Céu, o que provoca sua morte. Após vários anos seu irmão Larry (Andrew Robinson), que ignora o que aconteceu com Frank, decide voltar para a casa da família, que estava fechada há dez anos. Larry se muda juntamente com sua segunda esposa, Julia (Clare Higgins), mas sua filha, Kirsty (Ashley Laurence), optou por morar sozinha. Um acidente faz o sangue de Larry cair no chão do sótão, fazendo com que ocorra a ressurreição de Frank. Porém o corpo dele está só meio composto, assim ele procura a ajuda de Julia, com quem tivera um tórrido envolvimento, para ter novamente a forma humana. Ainda secretamente apaixonada por Frank, Julia o ajuda seduzindo homens da cidade e levando-os até a casa, pois assim seu renascido amante pode beber o sangue deles para recuperar seu aspecto humano. Tentando melhorar sua relação com Julia, Kirsty, que nunca se sentiu a vontade com a madrasta, vai até a casa para conversar com ela. Quando está chegando vê Julia com um desconhecido, que na verdade é a próxima vítima e não o que Kirsty pensa. Ao entrar na casa, Kirsty fica diante do estranho que está coberto de sangue, e pede por socorro. Aterrorizada, ela se depara com o ainda incompleto Frank, que se identifica e tenta dominá-la. Apavorada, Kirsty pega por acaso o cubo e sente que ele é importante para Frank, então o atira pela janela, o que deixa Frank em pânico. Ao fugir, ela resgata o cubo e anda pelas ruas desnorteada, pois está dominada por um medo que nunca sentiu.


Sem lágrimas, por favor. É um desperdício de sofrimento.
Um detalhe bem interessante é que o filme foi responsável pela popularização do Pinehead (que para quem ler o livro pode ver que é apenas mais um cenobita) o que acabou sendo aproveitado mais pelo autor depois. Outro ponto é que a Kirsty no filme é filha de Rory e não vizinha apaixonada.


O filme (assim como muitos filmes antigões de terror) tem umas 400 mil continuações haha são 7 ou 8 se eu não me engano. Então quem estiver inspirado um dia pode se jogar que o Pinehead quer rasgaaaaarr sua alma em pedaços haha
(Procurando fotos eu achei até o DEZ)







Sobre a edição



Acredito que esta edição é a mais bonita que eu tenho da Darkside! O acabamento meio com cara de couro é maravilhosa, assim como os detalhes da edição. Confesso que eu não sou tão fã de Soft touch (aquelas marcas de dedo me dão nos nervos)..

Nota no Skoob

Beijos!


sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Resenha: O Feiticeiro de Terramar - Ursula K. Le Guin

O Feiticeiro de Terramar (Ciclo Terramar #1)
Autor: Ursula K. Le Guin
Ano: 2016
Páginas: 176
Editora: Arqueiro
Sinopse: Há quem diga que o feiticeiro mais poderoso de todos os tempos é um homem chamado Gavião. Este livro narra as aventuras de Ged, o menino que um dia se tornará essa lenda.
Ainda pequeno, o pastor órfão de mãe descobriu seus poderes e foi para uma escola de magos. Porém, deslumbrado com tudo o que a magia podia lhe proporcionar, Ged foi logo dominado pelo orgulho e a impaciência e, sem querer, libertou um grande mal, um monstro assustador que o levou a uma cruzada mortal pelos mares solitários.

- Livro recebido através da parceira com a Editora Arqueiro. Obrigada ♥-

O que achei:


“– Quando vai começar meu aprendizado, senhor?
- Já começou – respondeu Ogion.
Fez-se silêncio, como se Ged estivesse hesitando em dizer algo.
- Mas ainda não aprendi nada!
- Porque você não descobriu o que eu estou ensinando.”


Goodreads

Em "O Feiticeiro de Terramar" conhecemos a história de Ged/Gavião, um jovem que logo cedo descobre ter poder. Para desenvolver seus talentos é convidado para ser aprendiz de Ogion, o mago de sua aldeia. O tempo passa e Ged, apesar de amar seu mestre, quer mais. Mais do que o mago lhe dá. É aí que Ged, agora Gavião, vai para Roke. Uma ilha onde ensinam uma magia mais poderosa, algo que ele estava esperando. E ali ele rapidamente se destaca e acha que está a caminho se ser o maior mago de todos. Assim como um dia alguém lhe falou que ele seria.

Um ponto muito interessante desta parte do livro é que podemos ver como o poder é perigoso. E de como ele pode "subir para a cabeça" fácil demais. Principalmente de um jovem como é o nosso protagonista. Um jovem mago que todos dizem que será grande, que será poderoso, que o seu poder é maior do que eles já viram nos últimos tempos.

Mas o que é o poder? Como conseguir lapidar um dom tão grande como o de Ged? 

Gretchen Edelen
Um ponto que eu gostei é que aqui não encontramos a típica jornada do herói. Aquele ser perfeito, com ótimas decisões e amado por todos. Pelo contrário até (se é que posso de fato determinar isso) encontramos um personagens que é influenciado pela ideia de poder, imaturo em muitos momentos e que tem algumas péssimas decisões. Mas aí você pode me questionar: Mas por que eu iria gostar de alguém assim? E aí te respondo. Porque ele é real. Tem erros, mas também tem acertos. Tem escolhas ruins, mas também lida com elas. Eu acho que faltam personagens assim hoje em dia. Encontramos muitas pessoas que não erram. E se erram são erros "socialmente aceitos" ou então de fácil conclusão.
Milan Fibigen
O personagem me lembrou por várias vezes Takezo, o personagem principalmente do mangá Vagabond. Um jovem que muitos dizem ser grande. Maior do que ele está pronto para ser. E a paciência de estar pronto é muitas vezes o maior desafio.

E é nesta gana por chegar a ser o maior mago de todos que faz Ged se perder. Em uma disputa boba com um desafeto da escola (que feriu o seu orgulho por mostrar habilidades que ele ainda não sabe) ele acaba despertando um mal. Um monstro, uma sombra, algo tão escuro que por pouco ele não morre. Cego, surdo, acamado. Tão vulnerável como ele sempre odiou estar. Se recupera aos poucos e tenta seguir em frente. Mas será que a lição foi aprendida?

Como ir contra esse mal? Mas afinal, quem é o seu maior inimigo? É isso que Ged tem que descobrir antes que seja tarde demais. 

A escrita de Úrsula é absolutamente envolvente. Apesar de simples, ela consegue com facilidade fazer com que a gente visualize o universo criado. Os personagens são marcantes (e olha que o povo vive mudando de nome, de lugar, de ideias) e eu consegui me importar com eles e com as suas decisões. Algo que eu gostei muito também é como ela tem uma forma "gráfica" de narrar. O livro é cheio de viagens e paisagens e a forma que a autora descreve é possível você visualizar os detalhes claramente do que ela quer que você veja ou sinta.

Pinterest
A sua forma de narrar me lembrou muito "Nome do Vento" e eis a minha surpresa ao ver que a autora foi inspiração para autores como Patrick Ruthfuss (autor de nome do vento) e o dono do mundo Neil Gaiman. Como não amar? Como não ser maravilhosa? Quem já leu "Nome do Vento" me diga se achou parecido também. Eu achei a forma de narrar principalmente. Aquela coisa meio "senta aqui que eu vou te contar uma história". Uma coisa meio Tolkien.

Goodreads

Por fim, destaco como está foi uma leitura super mega ultra gostosa! Bem rapidinho e que te faz sentir aquele tipo de fantasia de antigamente (o que na verdade esse livro é) estilo "Espada era a Lei" sabe? Com magos, dragões, magia e Mestre-aprendiz, e para os amantes de Harry Potter aqui temos um jovem mago aprendendo a ser grande. Super recomendo e mal posso esperar pelas continuações.

“Somente no silêncio a palavra, somente nas trevas a luz, somente na morte a vida: o voo do falcão brilha no céu vazio” 

Sobre o autor


Ursula Kroeber Le Guin escreveu romances, ensaios, contos, poesia e literatura infantil, destacando-se na Fantasia e na Ficção Científica. Os seus primeiros trabalhos foram publicados em 1960 e, desde aí, as suas obras exploram, nomeadamente, aspectos do taoísmo, anarquismo, etnografia, feminismo, psicologia e sociologia.
O Ciclo de Terramar, composto por cinco narrativas e um livro de contos, e o romance A Mão Esquerda das Trevas, parte do Ciclo de Hainish, são as suas obras mais conhecidas.

Sobre a edição:

Apesar de ser uma pessoa que sempre elogia as edições dos livros finos da Arqueiro, eu confesso que eu gostaria que esse livro fosse um pouco maior. É sim muito confortável de ler, mas eu acho que acabou ficando fino demais e não deixando uma lombada bonitinha. De resto tudo perfeito e adorei a capa com o dragão e que condiz muito com a história em ter um personagem chegando a um novo lugar.

Nota no Skoob

Beijos!

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Resenha: Hellraiser - Clive Barker

Hellraiser: Renascido do Inferno
Autor: Clive Barker
Ano: 2015
Páginas: 160
Editora: Darkside Books
Sinopse: Escrito em 1986, Hellraiser – Renascido do Inferno apresentou ao público os demoníacos Cenobitas, personagens criados por Clive Barker que hoje figuram no seleto grupo de vilões ícones da cultura pop como Jason, Leatherface ou Darth Vader. Toda a perversidade desses torturadores eternos está presente em detalhes que estimulam a imaginação dos leitores e superam, de longe, o horror do cinema. Clive Barker escreveu o romance Hellraiser – Renascido do Inferno (The Hellbound Heart, no original) já com a intenção de adaptá-lo ao cinema. O cultuado filme de 1987 seria sua estreia na direção, e ele usou o livro para mostrar todo seu talento como contador de histórias a possíveis financiadores. Nas palavras do próprio Barker: “A única maneira foi escrever o romance com a intenção específica de filmá-lo. Foi a primeira e única vez que fiz assim, e deu resultado”.

O que achei
Eu tenho cara de quem se importa com que Deus pensa?
Hellraiser é um verdadeiro clássico dos fãs dos filmes antigões trash. Com direito a muitos efeitos especiais (como um verme enorme correndo atrás de uma menina escandalosa) e muita tripa e sangue gosmento para todos os lados.

Confesso que eu não conhecia o livro que deu origem ao clássico, e assim que a @darksidebooks lançou nessa edição maravilhosa eu fiquei apaixonada. BABEEEEI!

Enfim, vamos para de babar e falar um pouco sobre o que nos interessa na verdade: A história do livro. Escrito em 1986, Hellraiser: Renascido do Inferno conta a história de Frank, um homem que adora experimentar as mais diversas formas de obtenção de prazer e que quer ir além de tudo o que já experimentou. Se depara com um cubo, a caixa de Lemarchand, que parece ser impossível de ser decifrada e que se fosse aberta, era prometido os maiores prazeres do mundo para quem realizasse o feito. Depois de muito tentar, Frank enfim consegue solucionar o cubo e ele se abre. E assim conhecemos os Cenobitas, seres de outra dimensão, que oferecem prazeres além do inimaginável.  Porém, todo desejo tem um preço. E quando tem o seu pedido realizado, Frank percebe que para os Cenobitas, prazer e dor andam lado a lado.


A forma como o autor narra essa “transformação” do personagem é tão incrivelmente descritiva que você se sente ali na cena. Então para os leitores com nojinho, eu não recomendo a obra, porque Clive usa e abusa de elementos grotescos e detalhados. Então é muita tripa, muito sangue e muita gosma não identificada para todos os lados. É incrível o poder do autor de incitar a nossa imaginação para o que ele quer.


Depois desses acontecimentos, o livro começa a se desenvolver em uma trama paralela com o casal Rory (irmão de Frank) e Julia. E claro, a amiga do casal Kirsty que é secretamente apaixonada por Rory. Nesta “segunda parte” do livro podemos, novamente, ver até onde o desejo pode nos levar. Júlia não esquece uma noite de paixão perversa que teve com o cunhado e fará de tudo para tê-lo de volta. Seja onde ele estiver. Precise ser feito o que for. E é aí que o BANHO de tripa e de sangue realmente começa. Porque sacrifícios deverão ser feitos para ela trazer o fofinho de volta. Eu gostei muito de como o autor descreveu esses momentos e principalmente de como trabalhou as emoções da Julia com o que ela precisava fazer. É possível ver que o autor ainda brinca com os nossos sentimentos assim como vemos o romance da Julia e do Frank. Ele gosta realmente dela? Ele aprendeu algo pelo o que passou?

O autor trabalha ainda com um ponto que eu gosto muito. O aspecto psicológico dos personagens. Afinal, você consegue ver que a Júlia em certos momentos perde as noções de realidade assim como de "certo e errado" pelo seu amor (ou seria obsessão?) pelo Frank. No filme (como eu menciono lá em baixo) a personagem da Kirsty é sua filha e no livro ela é sua vizinha. Eu confesso que eu entendo qual foi a intenção do autor com isso. Afinal ela ser filha acaba gerando uma empatia maior pelo por que ela liga tanto. Coisa que não acontece no livro. OK. Eu sei que ela é apaixonada por ele e tra lá lá, mas beirava a inconveniência a personagem ali todo o tempo querendo saber de tudo. Posso estar sendo chata e até mesmo tendenciosa eu sei. Mas confesso que ele comportamento dela acabou fazendo com que eu me torcesse pelo casal louco e queria sangueeeee. O que isso diz sobre mim ein? Medo. 


Por fim, confesso que este livro me surpreendeu e muito! Eu não esperava tanto, ainda mais por ser tão fino, eu jurei que seria uma história "rasa", mas me deparei com uma história bem fechadinha e até surpreendente. A escrita do autor (como já disse anteriormente) é muito fluida e até mesmo bonita. Nunca vi alguém falar de tripas e sangue de uma forma até mesmo poética. Eu amei! Talvez o tamanho seja um defeito, porque eu QUERIA MAIS! Mal posso esperar para ler Evangelho de Sangue. Recomendadíssimo.

E como Coraline dizia, "Cuidado com o que você deseja".

Pessoalmente, eu prefiro dor.
Sobre o autor:

Clive Barker (Liverpool, 5 de outubro de 1952) é um escritor, produtor de cinema, pintor e dramaturgo inglês. Clive Barker escreve o que costuma descrever como literatura Fantástica e horror. Em 2007 concluiu seu trabalho no game "Jericho". Neste momento vive em Los Angeles com o seu marido David Armstrong.

Nas telinhas:

Hellraiser - Renascido do Inferno, produzido na Grã-Bretanha em 1987. É dirigido pelo próprio autor do livro Clive Barker e conta com 94 minutos de duração.

Sinopse: Frank Cotton (Sean Chapman) é um conhecedor da depravação sexual, que busca a mais nova experiência sensual e compra um belo e intrincado cubo de quebra-cabeças. Só que Frank tem uma experiência atra com o cubo ao resolver o enigma e abrir as portas do Inferno e do Céu, o que provoca sua morte. Após vários anos seu irmão Larry (Andrew Robinson), que ignora o que aconteceu com Frank, decide voltar para a casa da família, que estava fechada há dez anos. Larry se muda juntamente com sua segunda esposa, Julia (Clare Higgins), mas sua filha, Kirsty (Ashley Laurence), optou por morar sozinha. Um acidente faz o sangue de Larry cair no chão do sótão, fazendo com que ocorra a ressurreição de Frank. Porém o corpo dele está só meio composto, assim ele procura a ajuda de Julia, com quem tivera um tórrido envolvimento, para ter novamente a forma humana. Ainda secretamente apaixonada por Frank, Julia o ajuda seduzindo homens da cidade e levando-os até a casa, pois assim seu renascido amante pode beber o sangue deles para recuperar seu aspecto humano. Tentando melhorar sua relação com Julia, Kirsty, que nunca se sentiu a vontade com a madrasta, vai até a casa para conversar com ela. Quando está chegando vê Julia com um desconhecido, que na verdade é a próxima vítima e não o que Kirsty pensa. Ao entrar na casa, Kirsty fica diante do estranho que está coberto de sangue, e pede por socorro. Aterrorizada, ela se depara com o ainda incompleto Frank, que se identifica e tenta dominá-la. Apavorada, Kirsty pega por acaso o cubo e sente que ele é importante para Frank, então o atira pela janela, o que deixa Frank em pânico. Ao fugir, ela resgata o cubo e anda pelas ruas desnorteada, pois está dominada por um medo que nunca sentiu.


Sem lágrimas, por favor. É um desperdício de sofrimento.
Um detalhe bem interessante é que o filme foi responsável pela popularização do Pinehead (que para quem ler o livro pode ver que é apenas mais um cenobita) o que acabou sendo aproveitado mais pelo autor depois. Outro ponto é que a Kirsty no filme é filha de Rory e não vizinha apaixonada.


O filme (assim como muitos filmes antigões de terror) tem umas 400 mil continuações haha são 7 ou 8 se eu não me engano. Então quem estiver inspirado um dia pode se jogar que o Pinehead quer rasgaaaaarr sua alma em pedaços haha
(Procurando fotos eu achei até o DEZ)







Sobre a edição



Acredito que esta edição é a mais bonita que eu tenho da Darkside! O acabamento meio com cara de couro é maravilhosa, assim como os detalhes da edição. Confesso que eu não sou tão fã de Soft touch (aquelas marcas de dedo me dão nos nervos)..

Nota no Skoob

Beijos!