E Não Sobrou Nenhum
Autor: Agatha Christie 
Ano: 2015
Páginas: 352
Editora: Globo de Bolso
Sinopse: Dez pessoas são convidadas pelo misterioso Mr. Owen para uma visita à ilha do Soldado, uma antiga propriedade de um milionário norte-americano. Nenhum dos presentes se conhece, nem tem certeza de por que estão ali, mas logo na primeira noite são confrontadas por uma voz misteriosa com fatos marcantes do passado. Com essa atmosfera, a autora abre inúmeras possibilidades. Todos são suspeitos, todos são vítimas e todos são culpados. É neste clima de tensão e desconforto que as mortes inexplicáveis começam. Isolados do continente por uma tempestade, os convidados que esperavam uma estadia agradável se veem num pesadelo. Agatha Cristhie expõe as facetas psicológicas dos personagens com maestria. A angústia, o medo e o confinamento provocam o descontrole. Os supostos crimes cometidos vêm à tona, e ao longo do livro vão elucidando os motivos que unem personagens tão díspares. Culpados ou inocentes? Algozes ou vítimas? Nesse jogo de gato e rato identificar o assassino não é tarefa fácil e o leitor vai aventando possibilidades e mergulhando nesta trama onde culpa, arrependimento e loucura vão se confundindo. Lançado em 1939, E não sobrou nenhum quebrou as regras vigentes até então para o gênero policial e investigativo, porque em sua narrativa nenhum detetive soluciona o mistério. Aclamado pelo público, trata-se de uma aula de como elaborar um romance de mistério: apegado ao real, sem excessos, com personagens consistentes e fluidez. É sem dúvida uma leitura imperdível para os fãs do gênero.

O que achei


Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;
Um deles se engasgou, e então sobraram nove.

Nove soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito;
Um deles dormiu demais, e então sobraram oito.

Oito soldadinhos vão a Devon passear e comprar chiclete;
Um não quis mais voltar, e então sobraram sete.

Sete soldadinhos vão rachar lenha, mas eis 
que um deles cortou-se ao meio, e então sobraram seis.

Seis soldadinhos com a colmeia, brincando com o afinco;
A abelha pica um, e então sobraram cinco.

Cinco soldadinhos vão ao tribunal, ver julgar o fato;
Um ficou em apuros, e então sobraram quatro.

Quatro soldadinhos vão ao mar; um não teve vez,
Foi engolido pelo arenque defumado, e então sobraram três.

Três soldadinhos passeando no zoo, vendo leões e bois,
O Urso abraçou um, e então sobraram dois.

Dois soldadinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então sobrou só um.

Um soldadinho fica sozinho, só resta um;
Ele se enforcou, 
E não sobrou nenhum.

A minha primeira leitura da #MLI2016 foi um dos maiores sucessos (se não o mais) de Agatha Christie: E não sobrou nenhum, ou, como foi publicado anteriormente "O caso dos dez negrinhos".

Este é o livro mais vendido de Agatha Christie, e também um dos maiores best-sellers de todos os tempos, com cerca de 100 milhões de cópias vendidas.

No livro somos apresentados a 10 pessoas que são convidadas para passar uns dias em uma mansão. Mesmo essas pessoas não conhecendo o anfitrião, por curiosidade (uns dizem que é alguém famoso, outros alguém escandalosamente rico, outros que é uma pessoa excentrica) aceitam o convite. Ao chegarem na casa não encontram ninguém a não ser um casal de empregados (um mordomo e uma governanta) que também não conhecem os patrões e fora contratados por carta. Logo os convidados ficam sabendo que a sua estadia ali não foi um ato cortez e sim que foram convidados a dedo por um homem que acredita que eles devem pagar por erros do passado.

Algo que eu senti quando o enredo foi sendo apresentado (eu não li a sinopse antes de ler) foi como "Jogos Mortais" tem uma premissa parecida com a do livro. Já que todos os convidados que estão na mansão não foram escolhidos aleatóriamente e sim porque são culpados de algo (seja diretamente ou indiretamente).

Eu achei isso muito bom, já que, assim como o filme, isso mexe com o psicológico do leitor. É como nos jogos da nossa infancia em que a qualquer momento você pode ser morto com um "piscar de olhos" por um amigo ou a pessoa que está do seu lado e você não sabe que pode ser o assassino. Gostei muito. Desta vez eu não consegui solucionar o mistério (cheguei a "separar" duas pessoas, mas não eram mimimi), mas isso não me abalou, afinal Poirot não estava ali para dizer o quão OBVIO era o culpado e SÓ EU não vi hahaha.

Na verdade, em "E não sobrou nenhum" não temos os detetives comuns nas obras da autora. Desta vez, os detetives somos nós. E Agatha brinca muito com isso, nos enganando e fazendo com que acreditemos estar indo no caminho certo até que PÁ o principal suspeito morre GRRR. Ai, como não amar um autor que faz isso com você? Acredito que um dos maiores sonhos dos leitores é ter o poder de entrar e participar de um livro. Em "E não sobrou nenhum" isso é possível. E é mágico.

Recomendadissímo. 

Sobre o autor


Dame Agatha Mary Clarissa Mallowan (Torquay, 15 de Setembro de 1890 — Wallingford, 12 de Janeiro de 1976), mundialmente conhecida como Agatha Christie, foi uma romancista policial britânica, autora de mais de oitenta livros. Seus livros são dos mais traduzidos de todo o planeta, superados apenas pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare, com mais de 4 bilhões de cópias vendidas em diversas línguas. Conhecida como Duquesa da Morte, Rainha do Crime, dentre outros títulos, criou os famosos personagens Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence Beresford e Parker Pyne, entre outros.

Nas telinhas:

O livro originou uma lista enorme de adaptações, que vão desde filmes de produção estadunidense, britânica, alemã, bollywod, italiana, russa até séries americanas e britânicas e até mesmo inspirou um jogo japonês chamado "Umineko no Naku Koro ni". 






Nota no Skoob (4,5)


A Descontrução de Mara Dye/A Evolução de Mara Dyer/A Vingança de Mara Dyer
Autor: Michelle Hodkin
Ano: 2013/2014/2015
Páginas: 378/406/378
Editora: Galera Record
Sinopse:
[A descontrução] Um grupo de amigos... Uma tábua ouija... Um presságio de morte. Mara Dyer não estava interessada em mensagens do além. Mas para não estragar a diversão da melhor amiga justo em seu aniversário ela decide embarcar na brincadeira. Apenas para receber um recado de sangue. Parecia uma simples piada de mau gosto... até que todos os presentes com exceção de Mara morrem no desabamento de um velho sanatório abandonado. O que o grupo estaria fazendo em um prédio condenado? A resposta parece estar perdida na mente pertubada de Mara. Mas depois de sobreviver à traumática experiência é natural que a menina se proteja com uma amnésia seletiva. Afinal, ela perdeu a melhor amiga, o namorado e a irmã do rapaz. Para ajudá-la a superar o trauma a família decide mudar para uma nova cidade, um novo começo. Todos estão empenhados em esquecer. E Mara só quer lembrar. Ainda mais com as alucinações - ou seriam premonições? - Os corpois e o véu entre realidade, pesadelo e sanidade se esgarçando dia a dia. Ela precisa entender o que houve para ter uma chance de impedir a loucura de tomá-la.
[A evolução] As misteriosas e perigosas habilidades de Mara continuam a evoluir. Ela sabe que não está louca e agora precisa se prender desesperadamente à sanidade. Mara sabe que é tudo real: pode matar com um simples pensamento, assim como Noah pode curar com apenas um toque e que Jude, o ex-namorado morto por ela, está realmente de volta. Mas para descobrir suas intenções, deve evitar uma internação em um hospital psiquiátrico. Confusa com as paredes se fechando e ruindo ao seu redor, ela deve aprender a usar seu poder.
[A Vingança] A  série mescla paranormalidade, conspiração e romance para contar a história de uma adolescente com poderes especiais. Elogiada pelas autoras das séries Divergente e Instrumentos Mortais, Michelle Hodkin cria aqui uma trama surpreendente, onde nada é o que parece. Depois de descobrir que consegue matar apenas com o pensamento, assim como seu namorado é capaz de curar com a mesma facilidade, Mara Dyer é capturada por uma inescrupulosa médica, que a faz passar por uma série de testes e experimentos. Mas Mara não está sozinha. Outros jovens com poderes igualmente extraordinários são usados como cobaia. Com a ajuda deles, e de um velho inimigo, ela consegue fugir e parte em busca de vingança.

O que achei

Como eu li a os livros dois e três nessa semana eu achei melhor fazer uma resenha (sem spoilers) da trilogia e não dos volumes separados.

"Meu nome não é Mara Dyer, mas meu advogado disse que eu precisava escolher alguma coisa".

Quando entrei em contato com o primeiro livro, confesso eu esperava algo bem suspense por se tratar de um livro que o plot se iniciava com uma tábua ouija e várias pessoas morrendo depois disso. Ou melhor, todos que brincaram morrendo MENOS Mara. Porém, já deixo claro que é melhor não esperar por sustos.

No primeiro livro encontramos Mara traumatizada pelo o que aconteceu com as amigas e o namorado, ela não se lembra de muita coisa, porém acredita que de certa forma foi responsável por isso. Aqui ela volta para a escola e somos SUFOCADOS por dramas adolescentes e "garota popular me odeia" e "gato da escola não é" ah! E não se esqueça do "mamãe me odeia". Porém, mesmo com todos esses elementos que eu odeio em um livro, consegui gostar bastante da história de fundo. E o final foi incrível e instigante o suficiente para me fazer continuar a série.

No segundo livro fui esperando retornar ao universo high school, porém, entretanto, todavia, a vibe do segundo livro é totalmente diferente do primeiro! Mara não está chata e também a parte psicológica é muito mais trabalhada neste volume. Aqui, não só as pessoas desconfiam que Mara pode estar louca, como nós TAMBÉM somos levados a ficar em dúvida sobre o que ela fala e o que vê. A autora trabalha muito bem isso e eu fiquei empolgadíssima! O Noah está fofíssimo nesse livro e adorei a turminha que a Mara conhece (desculpa seria spoiler falar onde). E gostei (claro) do conteúdo investigativo do livro. E AQUI sim a autora soube trabalhar o fator suspense (não dá medo) porém, este foi realmente a EVOLUÇÃO de Mara Dyer. Bem mais empolgante e bem mais sombrio.

Com toda a empolgação que tive ao ler a segundo livro, adicionei imediatamente na minha #MLI2016 o terceiro e último livro da série. Aqui, novamente, a autora muda a vibe da história. A merda é toda jogada no ventilador e o livro tem um ritmo alucinante. O que torna a construção da série incrível já que a autora soube dar a cada volume a sua importância. Não causando aquela sensação de "hum, esse livro foi só pra dar mais dinheiro e poderia não existir". Não sei vocês, mas eu odeio me sentir usada por autores. Michelle Hodkin me provou que tem talento e soube mostrar que planejamento é TUDO nessa vida.


Amei.

Quando li o primeiro livro "A descontrução de Mara Dyer" resenhei ele aqui no blog: LINK

Sobre o autor


Cresceu no sul da Flórida, fez faculdade em Nova York e em Michigan. Quando não está escrevendo pode ser encontrada brincando com seus três cachorros. Seu primeiro livro foi publicado em 2011.

Sobre a edição:

Nota no Skoob: 1)  2)  3) 


Beijos!




Cinder (Crônicas Lunares #1)
Autor: Marissa Meyer
Ano: 2013
Páginas: 448
Editora: Rocco
Sinopse: Num mundo dividido entre humanos e ciborgues, Cinder é uma cidadã de segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de conto de fadas com ficção distópica. Primeiro volume da série Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.

O que achei

No primeiro volume das "Crônicas Lunares" somos apresentados a Cinder, uma garota metade ciborgue metade humana que mora na terra. Porém a terra não é mais como antes. A Quarta guerra mundial já aconteceu e em Nova Pequim, uma doença chamada Letumose esta devastando a cidade. A cura não é conhecida. Quando sua meia irmã contrai a doença, Cinder é entregue pela madrastra como cobaia para pesquisas. E nessas pesquisas que Cinder sabe mais sobre a sua origem.

Cinder fan art by MiraPau
Porém, a doença não parece ser o maior problema da terra. A rainha Levana, dos Lunares, ameaça declarar guerra ao planeta se o príncipe herdeiro não aceitar seus termos de paz. O casamento.

Mas, aviso para não esperar todos os elementos famosos de Cinderela, a autora usa os acontecimentos de uma forma singela e que você vai "pescando" nas cenas. Um grande destaque do livro com certeza são os personagens. Cinder foi uma personagem que eu amei. É jovem, é metade humana e metade ciborgue e mecânica. E eu adorei como nada nela foi estereotipado. Ou até mesmo ela vestiu o papel de coitadinha. É determinada e corajosa. Eu gostei muito do príncipe Kai, e de como foi desenvolvida a sua personalidade (fugindo dos príncipes de livro). E até mesmo amei a realidade das atitudes de Adri. A madrasta má. E meu deus?! O que falar de Iko, a androide mais fofa do mundo.

by Andíree

A construção de mundo é ótima, assim como a caracterização dos personagens. Você consegue visualizar bem o que a autora descreve o que eu amo! Sou dessas apaixonadas por procurar fanart para ter melhor experiência possível estão me joguei. A forma como a autora descreve cada detalhe é tão apaixonante que eu passei hoooooras vendo artes de fãs sobre o mundo criado. Outro ponto super a favor é a construção politica do mundo. É muito interessante ver como o livro traz essa discussão sem inundar o livro de guerra, destruição e rebelião. Achei bem pertinente com o mundo atual que vivemos que algumas das maiores guerras são discutidas em uma mesa de escritório entre líderes mundiais que decidem nossas vidas. Desse foco, puxamos para o fato de que o romance não é o ponto principal do livro 💗. Já cansei de falar como em livros desse estilo eu não gosto quando os personagens ficam "dane-se o mundo eu quero amar!!!", aqui os personagens protagonistas tem o sentimento (e o sentimento real e maduro) de analisar o todo e tudo que o romance deles podem afetar. Eu adorei isso. Afinal chega de jovens que só pensam no seu umbigo não é mesmo?

tumblr
Por fim, destaco este livro como um dos melhores "recontos" que já li. A autora soube trabalhar com as referências do clássico sem se tornar repetitivo ou clichê. Reconhecemos os elementos sem ficar com aquela coisa "aí tudo se resolve no baile e no sapato". E inclusive não espere que tudo ocorra 100% bem sempre de uma forma disney de ser. Afinal, quem dera tudo na vida se resolvesse com um beijo não é mesmo?
tumblr
Um ponto que não me desagradou, mas que acredito que muitos podem se incomodar é o fator surpresa. Uma das grandes revelações do livro (talvez a mais importante) não foi surpresa pra mim. Eu descobri, acredito, na metade da leitura. Porém, novamente, este não foi um ponto que me desagradou, ou que fez com que o final fosse menos empolgante. Pelo contrário, o fato de eu saber me fez prestar mais atenção nos detalhes e nos acontecimentos ao redor. Já estou empolgadíssima pelos outros volumes. Uma das melhores leituras da #MLI2016 certeza! Partiu Scarlet e Cress!

by buttslayerx33
Sobre o autor


Marissa vive em Tacoma, Washington, com o seu noivo e dois gatos. Além de uma leve obsessão por livros e escrever, é uma grande degustadora de vinhos e caçadora de antiguidades.

Sobre a edição


Apesar dos livros da editora Rocco serem caros, na maioria das vezes vale muito a pena. E as edições das Crônicas Lunares são uma delas. Bem acabado, diagração linda e cheia de detalhes e um papel super gostoso de pegar. O tamanho do livro é bem confortável de ficar segurando e pra mim que ando de ônibus foi perfeito. Só elogios!

Nota no Skoob


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Resenha: E Não Sobrou Nenhum - Agatha Christie

E Não Sobrou Nenhum
Autor: Agatha Christie 
Ano: 2015
Páginas: 352
Editora: Globo de Bolso
Sinopse: Dez pessoas são convidadas pelo misterioso Mr. Owen para uma visita à ilha do Soldado, uma antiga propriedade de um milionário norte-americano. Nenhum dos presentes se conhece, nem tem certeza de por que estão ali, mas logo na primeira noite são confrontadas por uma voz misteriosa com fatos marcantes do passado. Com essa atmosfera, a autora abre inúmeras possibilidades. Todos são suspeitos, todos são vítimas e todos são culpados. É neste clima de tensão e desconforto que as mortes inexplicáveis começam. Isolados do continente por uma tempestade, os convidados que esperavam uma estadia agradável se veem num pesadelo. Agatha Cristhie expõe as facetas psicológicas dos personagens com maestria. A angústia, o medo e o confinamento provocam o descontrole. Os supostos crimes cometidos vêm à tona, e ao longo do livro vão elucidando os motivos que unem personagens tão díspares. Culpados ou inocentes? Algozes ou vítimas? Nesse jogo de gato e rato identificar o assassino não é tarefa fácil e o leitor vai aventando possibilidades e mergulhando nesta trama onde culpa, arrependimento e loucura vão se confundindo. Lançado em 1939, E não sobrou nenhum quebrou as regras vigentes até então para o gênero policial e investigativo, porque em sua narrativa nenhum detetive soluciona o mistério. Aclamado pelo público, trata-se de uma aula de como elaborar um romance de mistério: apegado ao real, sem excessos, com personagens consistentes e fluidez. É sem dúvida uma leitura imperdível para os fãs do gênero.

O que achei


Dez soldadinhos saem para jantar, a fome os move;
Um deles se engasgou, e então sobraram nove.

Nove soldadinhos acordados até tarde, mas nenhum está afoito;
Um deles dormiu demais, e então sobraram oito.

Oito soldadinhos vão a Devon passear e comprar chiclete;
Um não quis mais voltar, e então sobraram sete.

Sete soldadinhos vão rachar lenha, mas eis 
que um deles cortou-se ao meio, e então sobraram seis.

Seis soldadinhos com a colmeia, brincando com o afinco;
A abelha pica um, e então sobraram cinco.

Cinco soldadinhos vão ao tribunal, ver julgar o fato;
Um ficou em apuros, e então sobraram quatro.

Quatro soldadinhos vão ao mar; um não teve vez,
Foi engolido pelo arenque defumado, e então sobraram três.

Três soldadinhos passeando no zoo, vendo leões e bois,
O Urso abraçou um, e então sobraram dois.

Dois soldadinhos brincando ao sol, sem medo algum;
Um deles se queimou, e então sobrou só um.

Um soldadinho fica sozinho, só resta um;
Ele se enforcou, 
E não sobrou nenhum.

A minha primeira leitura da #MLI2016 foi um dos maiores sucessos (se não o mais) de Agatha Christie: E não sobrou nenhum, ou, como foi publicado anteriormente "O caso dos dez negrinhos".

Este é o livro mais vendido de Agatha Christie, e também um dos maiores best-sellers de todos os tempos, com cerca de 100 milhões de cópias vendidas.

No livro somos apresentados a 10 pessoas que são convidadas para passar uns dias em uma mansão. Mesmo essas pessoas não conhecendo o anfitrião, por curiosidade (uns dizem que é alguém famoso, outros alguém escandalosamente rico, outros que é uma pessoa excentrica) aceitam o convite. Ao chegarem na casa não encontram ninguém a não ser um casal de empregados (um mordomo e uma governanta) que também não conhecem os patrões e fora contratados por carta. Logo os convidados ficam sabendo que a sua estadia ali não foi um ato cortez e sim que foram convidados a dedo por um homem que acredita que eles devem pagar por erros do passado.

Algo que eu senti quando o enredo foi sendo apresentado (eu não li a sinopse antes de ler) foi como "Jogos Mortais" tem uma premissa parecida com a do livro. Já que todos os convidados que estão na mansão não foram escolhidos aleatóriamente e sim porque são culpados de algo (seja diretamente ou indiretamente).

Eu achei isso muito bom, já que, assim como o filme, isso mexe com o psicológico do leitor. É como nos jogos da nossa infancia em que a qualquer momento você pode ser morto com um "piscar de olhos" por um amigo ou a pessoa que está do seu lado e você não sabe que pode ser o assassino. Gostei muito. Desta vez eu não consegui solucionar o mistério (cheguei a "separar" duas pessoas, mas não eram mimimi), mas isso não me abalou, afinal Poirot não estava ali para dizer o quão OBVIO era o culpado e SÓ EU não vi hahaha.

Na verdade, em "E não sobrou nenhum" não temos os detetives comuns nas obras da autora. Desta vez, os detetives somos nós. E Agatha brinca muito com isso, nos enganando e fazendo com que acreditemos estar indo no caminho certo até que PÁ o principal suspeito morre GRRR. Ai, como não amar um autor que faz isso com você? Acredito que um dos maiores sonhos dos leitores é ter o poder de entrar e participar de um livro. Em "E não sobrou nenhum" isso é possível. E é mágico.

Recomendadissímo. 

Sobre o autor


Dame Agatha Mary Clarissa Mallowan (Torquay, 15 de Setembro de 1890 — Wallingford, 12 de Janeiro de 1976), mundialmente conhecida como Agatha Christie, foi uma romancista policial britânica, autora de mais de oitenta livros. Seus livros são dos mais traduzidos de todo o planeta, superados apenas pela Bíblia e pelas obras de Shakespeare, com mais de 4 bilhões de cópias vendidas em diversas línguas. Conhecida como Duquesa da Morte, Rainha do Crime, dentre outros títulos, criou os famosos personagens Hercule Poirot, Miss Marple, Tommy e Tuppence Beresford e Parker Pyne, entre outros.

Nas telinhas:

O livro originou uma lista enorme de adaptações, que vão desde filmes de produção estadunidense, britânica, alemã, bollywod, italiana, russa até séries americanas e britânicas e até mesmo inspirou um jogo japonês chamado "Umineko no Naku Koro ni". 






Nota no Skoob (4,5)

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Resenha: Trilogia Mara Dyer - Michelle Hodkin

A Descontrução de Mara Dye/A Evolução de Mara Dyer/A Vingança de Mara Dyer
Autor: Michelle Hodkin
Ano: 2013/2014/2015
Páginas: 378/406/378
Editora: Galera Record
Sinopse:
[A descontrução] Um grupo de amigos... Uma tábua ouija... Um presságio de morte. Mara Dyer não estava interessada em mensagens do além. Mas para não estragar a diversão da melhor amiga justo em seu aniversário ela decide embarcar na brincadeira. Apenas para receber um recado de sangue. Parecia uma simples piada de mau gosto... até que todos os presentes com exceção de Mara morrem no desabamento de um velho sanatório abandonado. O que o grupo estaria fazendo em um prédio condenado? A resposta parece estar perdida na mente pertubada de Mara. Mas depois de sobreviver à traumática experiência é natural que a menina se proteja com uma amnésia seletiva. Afinal, ela perdeu a melhor amiga, o namorado e a irmã do rapaz. Para ajudá-la a superar o trauma a família decide mudar para uma nova cidade, um novo começo. Todos estão empenhados em esquecer. E Mara só quer lembrar. Ainda mais com as alucinações - ou seriam premonições? - Os corpois e o véu entre realidade, pesadelo e sanidade se esgarçando dia a dia. Ela precisa entender o que houve para ter uma chance de impedir a loucura de tomá-la.
[A evolução] As misteriosas e perigosas habilidades de Mara continuam a evoluir. Ela sabe que não está louca e agora precisa se prender desesperadamente à sanidade. Mara sabe que é tudo real: pode matar com um simples pensamento, assim como Noah pode curar com apenas um toque e que Jude, o ex-namorado morto por ela, está realmente de volta. Mas para descobrir suas intenções, deve evitar uma internação em um hospital psiquiátrico. Confusa com as paredes se fechando e ruindo ao seu redor, ela deve aprender a usar seu poder.
[A Vingança] A  série mescla paranormalidade, conspiração e romance para contar a história de uma adolescente com poderes especiais. Elogiada pelas autoras das séries Divergente e Instrumentos Mortais, Michelle Hodkin cria aqui uma trama surpreendente, onde nada é o que parece. Depois de descobrir que consegue matar apenas com o pensamento, assim como seu namorado é capaz de curar com a mesma facilidade, Mara Dyer é capturada por uma inescrupulosa médica, que a faz passar por uma série de testes e experimentos. Mas Mara não está sozinha. Outros jovens com poderes igualmente extraordinários são usados como cobaia. Com a ajuda deles, e de um velho inimigo, ela consegue fugir e parte em busca de vingança.

O que achei

Como eu li a os livros dois e três nessa semana eu achei melhor fazer uma resenha (sem spoilers) da trilogia e não dos volumes separados.

"Meu nome não é Mara Dyer, mas meu advogado disse que eu precisava escolher alguma coisa".

Quando entrei em contato com o primeiro livro, confesso eu esperava algo bem suspense por se tratar de um livro que o plot se iniciava com uma tábua ouija e várias pessoas morrendo depois disso. Ou melhor, todos que brincaram morrendo MENOS Mara. Porém, já deixo claro que é melhor não esperar por sustos.

No primeiro livro encontramos Mara traumatizada pelo o que aconteceu com as amigas e o namorado, ela não se lembra de muita coisa, porém acredita que de certa forma foi responsável por isso. Aqui ela volta para a escola e somos SUFOCADOS por dramas adolescentes e "garota popular me odeia" e "gato da escola não é" ah! E não se esqueça do "mamãe me odeia". Porém, mesmo com todos esses elementos que eu odeio em um livro, consegui gostar bastante da história de fundo. E o final foi incrível e instigante o suficiente para me fazer continuar a série.

No segundo livro fui esperando retornar ao universo high school, porém, entretanto, todavia, a vibe do segundo livro é totalmente diferente do primeiro! Mara não está chata e também a parte psicológica é muito mais trabalhada neste volume. Aqui, não só as pessoas desconfiam que Mara pode estar louca, como nós TAMBÉM somos levados a ficar em dúvida sobre o que ela fala e o que vê. A autora trabalha muito bem isso e eu fiquei empolgadíssima! O Noah está fofíssimo nesse livro e adorei a turminha que a Mara conhece (desculpa seria spoiler falar onde). E gostei (claro) do conteúdo investigativo do livro. E AQUI sim a autora soube trabalhar o fator suspense (não dá medo) porém, este foi realmente a EVOLUÇÃO de Mara Dyer. Bem mais empolgante e bem mais sombrio.

Com toda a empolgação que tive ao ler a segundo livro, adicionei imediatamente na minha #MLI2016 o terceiro e último livro da série. Aqui, novamente, a autora muda a vibe da história. A merda é toda jogada no ventilador e o livro tem um ritmo alucinante. O que torna a construção da série incrível já que a autora soube dar a cada volume a sua importância. Não causando aquela sensação de "hum, esse livro foi só pra dar mais dinheiro e poderia não existir". Não sei vocês, mas eu odeio me sentir usada por autores. Michelle Hodkin me provou que tem talento e soube mostrar que planejamento é TUDO nessa vida.


Amei.

Quando li o primeiro livro "A descontrução de Mara Dyer" resenhei ele aqui no blog: LINK

Sobre o autor


Cresceu no sul da Flórida, fez faculdade em Nova York e em Michigan. Quando não está escrevendo pode ser encontrada brincando com seus três cachorros. Seu primeiro livro foi publicado em 2011.

Sobre a edição:

Nota no Skoob: 1)  2)  3) 


Beijos!



quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Resenha: Cinder (Crônicas Lunares #1) - Marissa Meyer

Cinder (Crônicas Lunares #1)
Autor: Marissa Meyer
Ano: 2013
Páginas: 448
Editora: Rocco
Sinopse: Num mundo dividido entre humanos e ciborgues, Cinder é uma cidadã de segunda classe. Com um passado misterioso, esta princesa criada como gata borralheira vive humilhada pela sua madrasta e é considerada culpada pela doença de sua meia-irmã. Mas quando seu caminho se cruza com o do charmoso príncipe Kai, ela acaba se vendo no meio de uma batalha intergaláctica, e de um romance proibido, neste misto de conto de fadas com ficção distópica. Primeiro volume da série Crônicas Lunares, Cinder une elementos clássicos e ação eletrizante, num universo futurístico primorosamente construído.

O que achei

No primeiro volume das "Crônicas Lunares" somos apresentados a Cinder, uma garota metade ciborgue metade humana que mora na terra. Porém a terra não é mais como antes. A Quarta guerra mundial já aconteceu e em Nova Pequim, uma doença chamada Letumose esta devastando a cidade. A cura não é conhecida. Quando sua meia irmã contrai a doença, Cinder é entregue pela madrastra como cobaia para pesquisas. E nessas pesquisas que Cinder sabe mais sobre a sua origem.

Cinder fan art by MiraPau
Porém, a doença não parece ser o maior problema da terra. A rainha Levana, dos Lunares, ameaça declarar guerra ao planeta se o príncipe herdeiro não aceitar seus termos de paz. O casamento.

Mas, aviso para não esperar todos os elementos famosos de Cinderela, a autora usa os acontecimentos de uma forma singela e que você vai "pescando" nas cenas. Um grande destaque do livro com certeza são os personagens. Cinder foi uma personagem que eu amei. É jovem, é metade humana e metade ciborgue e mecânica. E eu adorei como nada nela foi estereotipado. Ou até mesmo ela vestiu o papel de coitadinha. É determinada e corajosa. Eu gostei muito do príncipe Kai, e de como foi desenvolvida a sua personalidade (fugindo dos príncipes de livro). E até mesmo amei a realidade das atitudes de Adri. A madrasta má. E meu deus?! O que falar de Iko, a androide mais fofa do mundo.

by Andíree

A construção de mundo é ótima, assim como a caracterização dos personagens. Você consegue visualizar bem o que a autora descreve o que eu amo! Sou dessas apaixonadas por procurar fanart para ter melhor experiência possível estão me joguei. A forma como a autora descreve cada detalhe é tão apaixonante que eu passei hoooooras vendo artes de fãs sobre o mundo criado. Outro ponto super a favor é a construção politica do mundo. É muito interessante ver como o livro traz essa discussão sem inundar o livro de guerra, destruição e rebelião. Achei bem pertinente com o mundo atual que vivemos que algumas das maiores guerras são discutidas em uma mesa de escritório entre líderes mundiais que decidem nossas vidas. Desse foco, puxamos para o fato de que o romance não é o ponto principal do livro 💗. Já cansei de falar como em livros desse estilo eu não gosto quando os personagens ficam "dane-se o mundo eu quero amar!!!", aqui os personagens protagonistas tem o sentimento (e o sentimento real e maduro) de analisar o todo e tudo que o romance deles podem afetar. Eu adorei isso. Afinal chega de jovens que só pensam no seu umbigo não é mesmo?

tumblr
Por fim, destaco este livro como um dos melhores "recontos" que já li. A autora soube trabalhar com as referências do clássico sem se tornar repetitivo ou clichê. Reconhecemos os elementos sem ficar com aquela coisa "aí tudo se resolve no baile e no sapato". E inclusive não espere que tudo ocorra 100% bem sempre de uma forma disney de ser. Afinal, quem dera tudo na vida se resolvesse com um beijo não é mesmo?
tumblr
Um ponto que não me desagradou, mas que acredito que muitos podem se incomodar é o fator surpresa. Uma das grandes revelações do livro (talvez a mais importante) não foi surpresa pra mim. Eu descobri, acredito, na metade da leitura. Porém, novamente, este não foi um ponto que me desagradou, ou que fez com que o final fosse menos empolgante. Pelo contrário, o fato de eu saber me fez prestar mais atenção nos detalhes e nos acontecimentos ao redor. Já estou empolgadíssima pelos outros volumes. Uma das melhores leituras da #MLI2016 certeza! Partiu Scarlet e Cress!

by buttslayerx33
Sobre o autor


Marissa vive em Tacoma, Washington, com o seu noivo e dois gatos. Além de uma leve obsessão por livros e escrever, é uma grande degustadora de vinhos e caçadora de antiguidades.

Sobre a edição


Apesar dos livros da editora Rocco serem caros, na maioria das vezes vale muito a pena. E as edições das Crônicas Lunares são uma delas. Bem acabado, diagração linda e cheia de detalhes e um papel super gostoso de pegar. O tamanho do livro é bem confortável de ficar segurando e pra mim que ando de ônibus foi perfeito. Só elogios!

Nota no Skoob