Misery (Louca Obsessão)
Autor: Stephen King
Ano: 2014 
Páginas: 326
Editora: Suma de Letras
Sinopse:Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.

O que achei


"'- Meu nome é Annie Wilkes. E eu sou...' '- Eu sei. - disse ele. - Você é minha fã número um. '- Sim - respondeu ela, sorrindo. - É isso mesmo que eu sou."
.
O livro conta a história de Paul Sheldon, um famoso escritor, que tem uma personagem sensação nos seus livros. A Misery, que é amada por todas as mulheres. E apesar da personagem ser amada, ele odeia escrever sobre ela e odeia esses livros. E então ele decide trabalhar em um novo livro e acabar com essa série. É então que já com o livro em mãos, ele parte a caminho da editora. No caminho, em meio a uma nevasca, o seu carro acaba derrapando na estrada e ele é socorrido pela ex enfermeira Annie wilkes. Ali ele acha que foi salvo por um anjo. Bem. Ele não poderia estar mais enganado.


"Quando você olha para o abismo, o abismo também olha para você" (Parte I - Annie)

o livro é dividido em quatro partes: Annie, Misery, Paul e Deusa.
Na primeira parte, Annie, somos jogados direto com Paul já na casa de Annie. Em que através de flashbacks somos apresentados a alguns fatos que ocorreram até ele chegar lá. Nesta parte Annie finalmente lê o ultimo livro de Misery e descobre da sua morte. Totalmente transtonada, após punir Paul, compra uma máquina de escrever e diz que a partir de agora ele irá dar o jeito de ressucitar Misery. Mas essa tarefa será mais dificil do que Paul imagina. Afinal não é fácil enganar a sua fã numero 1. Atenta a todos os detalhes de todos os livros. 
Na segunda parte "Misery" somos apresentados aos capítulos escritos por Paul. Para o seu espanto, retornar ao mundo de Misery está sendo mais fácil do que ele imagina. E não só isso, este é o seu melhor trabalho. Só que as mudanças de humor de Annie estão cada vez mais frequentes, e Paul enfim começa a saber mais da sua fã. E bem, descobre de uma forma curiosa que ela também está escrevendo um livro. Resta saber se ele realmente irá querer participar desse livro. E meu Deus! Tem uma cena nessa parte.. Chocante!!!
Na terceira parte "Paul" e na queria parte "Deusa" os eventos são eletrizantes. Tem uma cena na terceira parte de perder o fôlego. Confesso que eu não sabia de que nada estava hahaha me apeguei a Annie, confesso. 

"Escrever não causa sofrimento, mas é fruto do sofrimento." (Parte II - Misery)

Annie, apesar de completamente louca, foi uma personagem que me agradou. Confesso. A loucura dela, por vezes quase inocente, me causou empatia. Empatia que Pail não causou, apesar de me agoniar pela situação em que ele estava.
Talvez seja o fato de eu, assim como ela, me apaixono pelas histórias que leio muitas vezes de tal forma que nem mesmo eu consigo controlar, kkkk, e algumas decisões de autores me deixam chateada, mas que depois "supero" e esqueço. Claro que aqui lidamos com um indivíduo com uma patologia que a deixa vulnerável quanto ao controle de certas emoções. Mas o amor de Annie por Misery, a personagem que de alguma forma vive tudo aquilo que ela não viveu, não é tão impossível como Paul acha. 


"Não dá. Venho tentando adormecer há meia hora e não consigo. Escrever aqui é como uma droga. É a única coisa pela qual eu anseio. Hoje à tarde eu li o que escrevi... e pareceu vívido. Eu sei que parece vívido porque minha imaginação preenche as partes que outra pessoa não entenderia. Quer dizer, é vaidade. Mas parece magia... E eu simplesmente não posso viver neste presente. Eu enlouqueceria se o fizesse.

" (Parte III - Paul)

Confesso que o amor/ódio "mercenário" de Paul com Misery me causou ate mais asco do que as torturas de Annie com ele.
Será que tenho que levar isso pra minha terapia? Leiam "Misery" e me falem. 

"— Você vai ser visitada por uma pessoa alta e morena — disse a cigana a Misery. E Misery, espantada, compreendeu duas coisas ao mesmo tempo: a mulher não era uma cigana, e as duas já não estavam sozinhas na tenda. Ela sentiu o cheiro de Gwendolyn Chastain no instante em que as mãos da mulher insana se fecharam em sua garganta. — Na verdade — disse a cigana que não era cigana —, acho que ela está aqui agora. Misery tentou gritar, mas já não podia nem respirar." (Parte IV - Deusa)

Brincadeiras a parte, o livro é incrível! A construção dos personagens é super bem feita e meu deus! As cenas de tortura são de você se arrepiar e "sentir" no seu corpo as coisas que a Annie faz com o Paul. (segunda parte estou falando com você). Incriiiiiivel. Recomendo!!!

Sobre o autor


Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar. De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman). 

Sobre a edição


Edição linda da Suma de Letras! Adorei essa capa, adorei a diagramação, adorei tudo.

Nas telinhas


O filme, lançado em 1990, foi dirigido por Rob Reiner e é estrelado por Kathy Bates que interpreta Annie Wilkes, o papel de Paul Sheldon, escritor o qual Annie Wilkes é obcecada é interpretado por James Caan (O Poderoso Chefão). 
Sinopse: Após sofrer um acidente em uma região isolada, um escritor é salvo por uma ex-enfermeira que é grande fã de seus livros. Entretanto, após saber que ele matou sua personagem mais famosa em seu próximo livro, ela passa a torturá-lo na intenção de fazer com que ele desista da decisão. Ela queima o livro anterior e o faz recomeçar outro. Logo,ele descobre o passado obscuro de Annie e passa a não confiar mais nela.






Obs: Kathy Bates ganhou o Oscar de melhor atriz por esse papel. Sendo assim a primeira atriz a ganhar o prêmio por um filme de suspense/terror.
Obs²:  O Instituto Americano do Cinema incluiu Annie Wilkes em sua lista de "100 Heróis e Vilões", posicionando-a em 17.° lugar.

Nota no Skoob





Muito além das estrelas
Autor: Álvaro Cardoso Gomes
Ano: 1997 
Páginas: 174
Editora: Editora Moderna
Sinopse: Que sentimento é esse que pode nos levar ao mais alto dos firmamentos e ao mais profundo dos infernos?
O que é amar alguém? Você sabe? Toninho sabe... E não se conforma com a morte de Regina, sua grande paixão. Agora ele quer trazê-la de volta, não importando o quanto custe! Se você ainda não sabe o que é o amor, acompanhe-o. Cada arrepio de suspense e terror vai mostrar a você o que é amar de verdade!


O que achei:

"O que é amar alguém? Você sabe? Toninho sabe."

Eu li "Muito além das estrelas" pela primeira vez quando estava na sexta série para uma peça na escola (em que fiz a Regina). Todos divididos em grupos e para o meu foi destinado a obra de Álvaro Cardoso Gomes. Quer saber? Eu agradeço até hoje por isso. Muito além das estrelas, apesar de ter aquela típica linguagem escolar, de fácil entendimento e com varias figuras, é um livro muito gostoso de ler... Tem uma história que prende e que, pelo menos pra mim, não enjoa! Eu acredito que já li este livro + de VINTE vezes! Minha mãe costumava chamá-lo de "livro de viagem" já que toda vez que viajamos para o interior, era este livro que eu pegava para passar aquelas horas. 
O livro é uma continuação de "Para tão longo amor", porém é importante ressaltar que não é precisa a leitura do livro 1 para o entendimento deste 2, em que gira em torno de como Toninho está lidando com a morte prematura de Regina (romance apresentado no primeiro livro). O livro se inicia com uma carta de Toninho para o autor. O agradecendo pela publicação de "Para tão longo amor" e que agora iria lhe contar uma história um pouco diferente. Algo que ele mesmo achava difícil de acreditar. Mas que ele esperava que o autor o entendesse e fosse o seu ouvinte dos acontecimentos no ultimo ano.

"Somente lhe peço muita compreensão, porque o que lhe vou contar foge ao senso comum e é fantástico demais, podendo assustar alguém que não seja como você, um escritor acostumado a mexer com o desconhecido. Acredite: o que vem escrito no caderno (que segue junto a minha carta)só tem uma explicação sobrenatural, apesar de ter realmente acontecido. Juro pela saúde de meus filhos! Os fatos são absolutamente verdadeiros, apesar de sobrenaturais."

Toninho conta como ele não estava conseguindo lidar com a sua falta. Em que seu único contato se dá com as suas visitas ate a casa da mãe da namorada para cuidar de suas rosas. Ate que Dona Berta diz que irá se mudar para outra cidade e Toninho fica devastado em perder a sua ultima ligação com Regina. 

"Por quê, Regina? Por quê? - perguntei chorando. 
Sentia-me como uma criança a quem tivessem roubado o brinquedo mais querido.
- Regina, volto a perder você outra vez."

Alguns dias depois, ele vê que uma clinica está sendo construída no local da casa, e meio a uma crise de desespero, Toninho bebe demais e vai ate o cemitério ate o túmulo de Regina. É ali, em meio a trovões e uma chuva eminente que Toninho promete a ela que irá buscá-la. Esteja onde ela estiver. A partir dai Toninho passa a ter pesadelos com os gnomos Dig e Dag, que em meio a enigmas e canções o levam para um jogo cada vez mais intenso. Que quase o leva a loucura. Baseado na história de Orfeu e Euridice, Toninho tenta buscar sua amada no vale da morte mesmo que isso custe a paz de quem ele mais ama.

"Eu sou o gnomo Dig.
Não muita coisa te digo.
Eu sou o gnomo Dag.
Por favor, pouco me indagues."

 "Muito além das estrelas" é inesquecível. Em meio a forças ocultas, pactos e crenças religiosas que vão fazer você acreditar no bem e no mal e no que achava ser impossível. É pesado, é profundo e com toques de Divina Comédia vai fisgar você. Recomendo muito a leitura desse belo exemplo de literatura nacional de qualidade! E claro, dar uma chance aos livros da época do colégio, porque ali podem estar verdadeiros tesouros.

 "Que sentimento é esse que pode nos levar ao mais alto dos firmamentos e ao mais profundo dos infernos?"

Sobre o autor


É formado em Letras pela USP, onde se tornou professor títular de Literatura Portuguesa. Especializou-se na literatura do final do século e em poesia e romance contemporâneo. Lecionou as cadeiras de Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia em Berkeley e no Middlebury College e fez várias pesquisas em Portugal e nos Estados Unidos da América.

Álvaro Cardoso Gomes nasceu na cidade paulista de Batatais, em 1944, e viveu a adolescência em Americana, também no interior de São Paulo, que usa como o cenário das suas obras A hora do amor, Para tão longo amor e outras mais. Hoje mora em São Sebastião, no litoral paulista. É autor de diversos livros juvenis, além de livros de poesia, de contos, romances para adultos (entre eles O sonho da terra, que recebeu o Prêmio Bienal Nestlé

Sobre a edição


O estilo da edição é o comum da editora moderna. Com letras grandes e cheio de ilustrações. 

Nota no Skoob



Xx Beijos xX


The Duke and I (Bridgertons #1)
Autor: Julia Quinn
Ano: 2006 
Páginas: 384
Editora: Piatkus (ebook)
Sinopse: Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo.
Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta.
Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.

O que achei

Primeiramente, eu pensava que este seria o meu primeiro contato com a autora, mas para a minha surpresa, antes a autora era lançada pela Nova Cultural e eu sou VICIADA em romances de banca desde a criança (haha sim sou estranha). Em uma olhadinha no Skoob vi que já havia lido o "História de um Grande Amor" (inclusive O duque e eu foi lançado também nesse formato. Tá vendo como não é pra ter preconceito com romances de banca? haha). Bom, não lembro muito dele então vou tratar The Duke and I (O duque e eu) como a minha primeira leitura.
O livro foi o sorteado do mês na TBR que eu tenho com as minhas amigas Monique e Danni (de escolha da Danni).


The Duke and I, primeiro volume da serie dos Bridgertons, conta a história da jovem Daphne, uma moça na idade de casar, mas que 
Daff é uma mocinha do tipo que eu amo, forte, engraçada e decidida! 
Simon é um duque marcado pelo desprezo do pai no passado, que não queria saber dele por considera-lo dévio pela sua gagueira na infância. O que fez com que esse se fechasse ao amor e aceitasse a libertinagem como destino da vida. 
Um dia, ao voltar a Londres encontra Anthony Bridgerton, seu amigo da faculdade, que o alerta das mães predadoras que estão loucas para casar as suas filhas. Inclusive a mãe de Anthony é assim, pois está a beira do desespero pelo fato de que após duas temporadas, Daphne não arranjou um casamento e está perto de se tornar uma "solteirona". Simon tem então a ideia de fingir um interesse na jovem para salvar ambos dessa cobrança. Já que assim irá trazer bons pretendentes para ela é deixar ele cumprir a promessa de nunca se casar em paz.
Mas ai ne? Lá vem ele. O danado do AMOR! Hahah. Simon começa a ver que o que sente pela jovem é muito mais do que fingimento. Mas será que as batalhas do passado deixarão ele ser feliz?
Simon é ainda atormentado por um ódio contra o pai que um dia o desprezou e assim tem o desejo de se vingar dele não se casando ou tendo filhos, fazendo assim com que o título de Duque (que era tão estimado pelo pai) se perca.

Meu deus que livro lindo!!! Aqueles que aquecem o coração é que você sente ele vibrar.
Adorei as notinhas da coluna da misteriosa Lady Whistledown no início de cada capitulo haha lembrei de Gossip Girl! Dá vontade de dar uns tapas na cara do Simon no final, mas como todo livro amorzinho, tudo da certo. A leitura é bem rápida, e eu confesso que eu não queria que acabasse então ia regrando a leitura haha. Ate que não deu mais e cá estou eu, 5:38 da manha escrevendo essa resenha! Apaixonada e arrasada que já acabou. 

Aqui no Brasil o livro foi publicado pela editora arqueiro, e eu já quero completar essa coleção para ONTEM! Ai to apaixonada ainda. Quero ler de novo! Recomendado!


Sobre a autora


Julia Quinn começou a trabalhar em seu primeiro romance um mês depois de terminar a faculdade e nunca mais parou de escrever. Seus livros já atingiram a marca de 8 milhões de exemplares vendidos, sendo 3,5 milhões da série Os Bridgertons. É formada pelas universidades Harvard e Radcliffe. Seus livros já entraram na lista de mais vendidos do The New York Times e foram traduzidos para 26 idiomas. Foi a autora mais jovem a entrar para o Romance Writers of America’s Hall of Fame, a Galeria da Fama dos Escritores Românticos dos Estados Unidos, e atualmente mora com a família no Noroeste Pacífico.

Sobre a edição


Infelizmente li no kindle. Na edição em inglês LINDA E FOFA lançada por uma editora chamada "Piatkus", que inclusive eu não vou descansar enquanto não conseguir a física. Como eu já tenho outro volume da série e amei TANTO esse, quero completar em português também.

Nota no Skoob




O Retrato de Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde
Ano: 2005 
Páginas: 244
Editora: L&PM Pocket
Sinopse: O romance, de forte cariz estético, conta a história fictícia de um homem jovem chamado Dorian Gray na Inglaterra aristocrática e hedonista do século XIX, que torna-se modelo para uma pintura do artista Basil Hallward. Dorian tornou-se não apenas modelo de Basil pela sua beleza física (um "Adônis que se diria feito de marfim e pétalas de rosa"), mas também tornou-se uma fonte de inspiração para outras obras e, implicitamente no texto, uma paixão platônica por parte do pintor. Mas o seu retrato, que Basil não quer expôr por ter colocado "muito de mim mesmo", foi sua grande obra-prima.

O que achei:
"O verdadeiro mistério do mundo é o visível, não o invisível."


O Retrato de Dorian Gray é um grande clássico da literatura gótica. Publicado em 1891, o livro conta a história de Dorian, um rapaz muito belo e ingênuo. É objeto de devoção do pintor Basil Hallwart, que trabalha sem parar em retratos do belo jovem. Ate que um dia Basil recebe a visita do amigo Lorde Henry, que rapidamente se encanta também pelo jovem Dorian. Henry porém, contra a vontade de Basil, tem longas conversas com Dorian sobre a importância da beleza e da eterna juventude. Dorian logo fica fascinado pelo discurso de Henry.

“Sempre! E sta é uma palavra assustadora. Faz-me tremer quando a ouço. As mulheres gostam tanto de usá-la. E las estragam cada romance ao tentá-lo fazer durar para sempre. É , também, uma palavra sem sentido. A única diferença entre um capricho e uma paixão para a toda vida é que o capricho dura um pouco mais”

Dorian se apaixona por Sibyl, uma atriz. Porém, ao assisti-la atuar de forma distraída, perde o seu interesse e termina com ela a acusando de não ser nada daquilo que ele pensava. Sibyl roga que Dorian não a deixe, mas de nada adianta. Ao chegar em casa no entanto, olha o seu retrato e ali vê um leve ar de satisfação. Dorian fica imediatamente aterrorizado ao ver que o retrato está mudando e resolve que ninguém pode vê-lo e o cobre com um pano.
Uma noticia pior ainda chega no outro dia. Sibyl se suicidou.

E a partir dai a vida de beleza eterna de Dorian cobra um preço cada vez mais alto. Até onde irá?

"Lorde Henry o observava, com seu triste sorriso. Ele conhecia o momento psicológico preciso para não dizer nada. Ele se sentia intensamente interessado. Ele estava surpreso com a súbita impressão que suas palavras tinham causado e, lembrando-se de um livro que ele lera quando tinha dezesseis anos, que lhe revelara muito do que ele não conhecia antes, se perguntou se Dorian Gray estava passando pela mesma experiência. Ele apenas lançara uma flecha pelo ar. Atingira o alvo? Que rapazote fascinante ele era!"

Que coisa linda é a escrita do Oscar Wilde! Ao ler, era como se uma música vitoriana tocasse ao fundo e uns casais dançassem aquelas coreografias estranhas ao meu redor hahahaha incrível! Cada frase dita no livro soa tão bem que boa parte do livro li em voz alta. 

“Como isso é triste!”, murmurou Dorian Gray, com seus olhos ainda fixos em seu próprio retrato. “Como isso é triste! Deverei envelhecer, e ficar horrível e assustador. M as este retrato sempre permanecerá j ovem. Nunca ficará mais velho do que neste dia particular de junho... se fosse ao contrário! Se fosse como eu sempre ficar j ovem e o retrato envelhecer! Por isto – por isto – eu daria qualquer coisa! Sim, não há nada em todo omundo que eu não daria!”

Os personagens sao escritos com cuidado, os mínimos detalhes são trabalhados. Henry (ou Harry) é um personagem interessante de se analisar, pois é dele o papel de despertar Dorian Gray para o lado do hedonismo, o prazer como o bem supremo da vida, em que o modo de obtenção desse prazer pouco importa perto do gozo completo. Lorde Henry é aquele personagem próximo de asqueroso, porém não há nada que ele diga que não seja verdade. Sem a hipocrisia de se importar com os sentimentos alheios. A verdade que era tanto ali naquela sociedade vitoriana como na atualidade que vivemos.

"É como pintar a tristeza
Um semblante sem coração."

Este é um livro muito usado em discussões e artigos na área da Psicanálise. Eu, como psicóloga, confesso que fiquei louca para abordar alguns pontos sobre a obra como o narcisismo, o estádio do espelho, a perversão e até mesmo a psicose. Mas, o meu intuito com as resenhas do blog não é fazer esse tipo de análise.. Mas existem muitos artigos na internet se caso alguém fique interessado! Recomendo!

Sobre o autor

Nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin, Irlanda. Filho de William Robert Wilde, cirurgião-oculista que servia à rainha. Sua mãe, Jane Speranza Francesca Wilde, escrevia versos irlandeses patrióticos com o pseudônimo de Speranza. Foi educado no Trinity College, Dublin e mais tarde em Oxford. Lá ele recebe a influência de Walter Pater e da doutrina da "arte pela arte". Em 1879, vai para Londres, para estabelecer-se como líder do "movimento estético". Em 1881 é publicada uma coletânea de seus poemas. Em 1882, sem dinheiro, aceita participar de um ano de viagens entre USA e Canadá. Essa viagem lhe rendeu fama e fortuna.



Sobre a edição: Eu li na edição pocket, sendo assim o texto é feito em formatação simples , paginas brancas e com margens pequenas. Desejo comprar no futuro a edição lançada pela editora Biblioteca Azul que é linda demais! Em capa dura e também tem o texto sem censura e com anotações.

Nas telinhas

Que eu tenha encontrado, o livro foi adaptado para o cinema oito vezes. Em 1945, 1970, 1973, 1976, 1983, 2001, 2004 e 2009. Do qual três são "adaptações para a atuailidade" daquelas tão baseadas que quase não dá pra ver a obra haha. A adaptação de 2009 foi a única que eu assisti, mas pretendo ver a mais antiga que dizem ser a mais fiel.


 

 


Nota no Skoob:


xX Beijos Xx


Mar Morto
Autor: Jorge Amado
Ano: 2008
Páginas: 288
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: A vida dos marinheiros no cais de Salvador, com sua rica mitologia que gira em torno de Iemanjá, é o tema central de Mar morto, um painel lírico e trágico sobre a luta diária desses trabalhadores pela sobrevivência. Personagens como o jovem mestre de saveiro Guma parecem prisioneiros de um destino traçado há muitas gerações: os homens saem para o mar que um dia os tragará, levando-os com Iemanjá para as lendárias terras de Aiocá, e as mulheres os esperam resignadas no cais. No dia em que eles não voltarem, elas cairão na miséria ou na prostituição. Lívia, amada que busca em vão libertar Guma do chamado do mar, desempenhará um papel pioneiro na mudança de condição da mulher.  Em torno de Guma e Lívia entrelaçam-se os dramas de inúmeros personagens muito vívidos: do preto Rufino e sua volúvel mulata Esmeralda; do velho Francisco, tio de Guma, que conserta redes desde que se tornou incapaz de enfrentar o mar; da valente e desbocada Rosa Palmeirão, de punhal no peito e navalha na saia. É com grande lirismo que Jorge Amado narra esse cotidiano de trabalho árduo, marcado pelo risco de vida que se apresenta a todo momento. Em Mar morto, homens e mulheres do cais da Bahia vivem cada dia como se fosse o último. Paixão e trabalho, instinto e sobrevivência se conjugam de maneira trágica.

O que achei

"Mar morto", romance publicado em 1936 é uma das principais obras de Jorge Amado.
Este foi o meu primeiro livro do autor e de início, confesso que me incomodou a repetição de algumas palavras na mesma frase, aquele estilo de escrever diferente do que eu estava acostumada. Ate que eu realmente prestei atenção na sonoridade (as vezes quando eu não estou entendendo algo, eu leio em voz alta) e vi que ali tinha uma sonoridade literária. Uma coisa meio cantada. Que depois, ao invés de achar estranho, passei ate a achar que deixou os capítulos mais bonitos. 

"O mar é amigo, o mar é doce amigo para todos aqueles que vivem nele. E Lívia sente o gosto de mar da carne de Guma. O "valente" balança como uma rede. Uma voz, que não se sabia ao certo de onde vinha, cantava: É doce morrer no mar."

E que coisa linda é a escrita do Jorge Amado. É tão bonito o orgulho que ele passa da terra através da escrita dele. E pensar que ele tinha somente 24 anos quando escreveu Mar Morto! A forma que ele descreve aquele povo dali, aquele povo sofredor, e que mesmo com tanta dificuldade não deixa de seguir o seu acreditando no seu destino. Que é morrer no mar. Eu sou uma grande amante de histórias mitológicas, e é isso que Jorge Amado nos apresenta. A mitologia daquele lugar. Em que uma deusa do mar, Iemanjá, ou Janaina, é quem ama e castiga os seus filhos. 
Aqui conhecemos uma história de amor. O amor de Lívia e Guma. Da vida difícil dos trabalhadores do mar. Da dor da espera das suas amadas no cais. Da duvida se os seus amantes, maridos, amados chegarão bem ou se seguirão o seu destino e serão levados pela Iemanjá. A deusa do mar. Aquela que sempre deseja que os seus filhos venham, mais cedo ou mais tarde, ao seu encontro no mundo das águas. 
Os personagens são muito bem construídos. E até aqueles que não aparecem tanto tem a sua importância na trama. E que personagem maravilhosa é Esmeralda, a mulata do negro Rufino, que ao mesmo tempo você odeia e também ama. Incrível.

O romance aqui não é aquele velho romance água com açúcar. É real, é carne e coração. É verdadeiro, mas é fraco. É fraco, mas é forte. É curto, mas é eterno.

O livro é dividido em três partes: "Iemanjá, dona dos mares e dos saveiros", "O paquete voador" e "Mar Morto" e todos os três são subdivididos em vários capítulos. 

"Mar Morto" é um livro belo. Poético e, assim como uma canção, nos embalam entre as suas páginas e nós levam para longe de tudo. É cheio de tragédia, de paixão e de intrigas. Um prato cheio.

Bem. Assim contavam na beira do cais. 

Este livro foi empréstimo da minha amiga do @umdiamelivro na nossa troca de livros favoritos. Obrigada Amiga pela bela experiência de leitura! 

"O canto vinha de longe
De la do meio do mar
Não era canto de gente
Bonito de admirar

O corpo todo estremece
Muda cor do céu do luar

Um dia ela ainda aparece
É a rainha do mar

Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar 

Quem ouve desde menino
Aprende a acreditar
Que o vento sopra o destino
Pelos caminhos do mar

O pescador que conhece
as historias do lugar
morre de medo e vontade
de encontrar Yemanja ♪

Sobre o autor


Jorge Amado foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.

Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa. 

Sobre a edição


A edição que a Andresa me emprestou é a comemorativa de 100 anos, da editora Companhia das Letras. A editora caprichou como sempre. A diagramação é ótima e confortável para ler. Adorei! Quero ler os outros livros do Jorge dessa mesma edição ♥

Nas telinhas:

Mar Morto foi adaptado para uma novela (junto com A descoberta da América Pelos Turcos) da Rede Globo com o nome de "Porto dos Milagres" e escrita pelos autores Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Foi transmitida no ano de 2001 com Marcos Palmeiras como Guma, Flávia Alessandra como Lívia e a gatissima Camila Pitanga como a Esmeralda. Foi na época um grande sucesso de audiência. 





A abertura da novela era embalada pela música "Caminhos do Mar" da cantora Gal Costa. Eu amava!

Nota no Skoob


XX Beijos XX


Grandes Esperanças
Autor: Charles Dickens
Ano: 2010 
Páginas: 656
Editora: Abril
Sinopse: A vida de Pip, órfão criado pela irmã num ambiente de pobreza, é radicalmente alterada quando um misterioso benfeitor lhe doa uma fortuna. Sua mudança para Londres, o esforço para tornar-se um cavalheiro, as grandes esperanças e certos dilemas morais tornam este romance de Dickens leitura inesquecível.



O que achei

"Deus sabe que nunca devemos nos envergonhar de nossas lágrimas, pois elas são a chuva que dispersa a poeira ofuscante da terra, que recobre nossos corações empedernidos."

Claro que o centésimo livro lido do ano tinha que ser um livro especial não é?


Grandes Esperanças é um dos livros mais famosos do Charles Dickens e quando ele foi sorteado para o desafio da Rory Gilmore eu senti o peso de ler um clássico dessa importância. Com 656 páginas, não tão grande assim, ele ocupou um longo tempo de leitura. Acredito que eu demorei quase dois meses para lê-lo por completo. Por que? Não sei. 
Em alguns momentos durante a leitura, senti que este não era o momento de ler este livro. Mas mesmo assim insisti. Acredito que talvez o livro me tocava de uma forma que eu julguei não estar preparada.
A narrativa é rica, bem explorada e encantadora. Os personagens são extremamente bem explorados e a crítica social está ali presente todo o tempo. E trazendo para a atualidade, é incrível como ainda hoje o homem é o mesmo. Só que com a tecnologia ao seu favor. 
O livro é dividido em três partes:

Pip e Abel
Na primeira somos apresentados a infância de Philip Pirrip, ou Pip que após a morte dos pais é criado por uma irmã malvada e o seu bondoso marido, o ferreiro Joe. Tudo muda quando recebe uma grande fortuna de um benfeitor anônimo cujo nome não pode ser revelado. Esta grande fortuna faz com que os membros da aldeia onde mora e do próprio garoto mudem completamente, pois ele começa a se envergonhar de sua origem humilde. 


Na segunda parte, Pip de muda para Londres onde será educado por um tutor para se transformar em um cavalheiro. É em Londres que Pip passa a conhecer as tentações de uma cidade grande e assim passa a abandonar o que foi no passado. E lidar com algumas consequências de suas ações com Joe.


Na terceira parte, Pip descobre enfim a identidade do seu benfeitor. O que lhe causará arrependimentos sobre as suas ações do passado. 
Esta parte por ser cheia de revelações, é difícil comentar muito. Mas já adianto que este livro contém uma das cenas mais lindas que eu já li ate hoje! O livro é cheio de personagens interessantes como o ferreiro Joe, a Srta. Havisham, uma mulher rica que foi abandonada pelo noivo nunca mais viu a luz do dia ou usou outra coisa que se não o vestido de noiva, o detento abel que logo no início do livro o coloca em uma situação difícil e o grande amor de Pip, Estella. 



"Eu vou lhe contar" disse ela, no mesmo murmúrio apaixonado e precipitado, "o que é o verdadeiro amor. É devoção cega, abnegação inquestionável, submissão absoluta, convicção e confiança contra vocês mesmo e contra o mundo inteiro, entregando sua alma e seu coração inteiro ao torturador... como eu fiz"


Grandes Esperanças é um livro encantador, triste, belo e verdadeiro. Sobre o resgate do seu verdadeiro eu, da sua moral, dos seus objetivos reais. 


"Nenhum trapaceiro na face da terra nos engana tão bem quanto o trapaceiro que existe em nós, e com tais pretextos eu enganava a mim mesmo."

Sobre o autor


Charles John Huffam Dickens foi o mais popular dos romancistas da era vitoriana e contribuiu para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa. A fama dos seus romances e contos pode ser comprovada pelo fato de todos os seus livros continuarem a ser editados. Entre os seus maiores clássicos destacam-se "Oliver Twist", "A Christmas Carol" e "David Copperfield". Dickens era filho de John Dickens e de Elizabeth Barrow. Educado por sua mãe, tomou gosto pelos livros. Durante três anos freqüentou uma escola particular. Contudo o seu pai foi preso por dívidas e, ainda adolescente, Dickens teve que trabalhar em uma fábrica que produzia graxa para sapatos. Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou, graças a uma herança recebida pelo pai. Mas sua mãe não permitiu que ele saísse logo da fábrica, o que fez com que Dickens não a perdoasse por isso. As más condições de trabalho da classe operária tornar-se-iam um dos temas recorrentes da sua obra.

Sobre a edição


Eu li pela edição da abril que é uma coisa linda. Capa dura, páginas amareladas. Eu achei muito "mole" para um livro tão grosso, então acredito que a edição não irá durar muito tempo. Li no kindle (no trabalho não tem condições haha) com a edição da Penguin. Muito bem feita e organizada.

Nas telinhas: Entre peças de teatro, séries de TV, filmes do cinema mudo e longas, a obra já foi adaptada 20 vezes (!!!). Eu não lembro de ter visto alguma, porém a mais recente foi lançada em 2012 estrelado por Jeremy Irvine, Helena Boham Carter, Holliday Grainger, Jessie Cave e Jason Flemyng.



Sinopse: O filme conta a história de um rapaz que é apaixonado por uma bela mulher que é extremamente fria para com ele. O filme é a modernização do clássico de Charles Dickens sobre o órfão Bell e seu amor pela bela e fria Estella, criada por uma mulher cruel que busca vingança contra os homens por ter sido abandonada à beira do altar, e o misterioso benfeitor que muda o destino do rapaz. 







Obs: Desejo do momento é eu conseguir achar a adaptação da BBC One que conta com a minha musa Gillian Anderson no elenco! 



Nota no Skoob

Alguém já leu? Me contem o que acharam. Beijos! 

Ilustrações foram retiradas de Sementes de Papoula


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Resenha: Misery - Stephen King

Misery (Louca Obsessão)
Autor: Stephen King
Ano: 2014 
Páginas: 326
Editora: Suma de Letras
Sinopse:Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho. A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.

O que achei


"'- Meu nome é Annie Wilkes. E eu sou...' '- Eu sei. - disse ele. - Você é minha fã número um. '- Sim - respondeu ela, sorrindo. - É isso mesmo que eu sou."
.
O livro conta a história de Paul Sheldon, um famoso escritor, que tem uma personagem sensação nos seus livros. A Misery, que é amada por todas as mulheres. E apesar da personagem ser amada, ele odeia escrever sobre ela e odeia esses livros. E então ele decide trabalhar em um novo livro e acabar com essa série. É então que já com o livro em mãos, ele parte a caminho da editora. No caminho, em meio a uma nevasca, o seu carro acaba derrapando na estrada e ele é socorrido pela ex enfermeira Annie wilkes. Ali ele acha que foi salvo por um anjo. Bem. Ele não poderia estar mais enganado.


"Quando você olha para o abismo, o abismo também olha para você" (Parte I - Annie)

o livro é dividido em quatro partes: Annie, Misery, Paul e Deusa.
Na primeira parte, Annie, somos jogados direto com Paul já na casa de Annie. Em que através de flashbacks somos apresentados a alguns fatos que ocorreram até ele chegar lá. Nesta parte Annie finalmente lê o ultimo livro de Misery e descobre da sua morte. Totalmente transtonada, após punir Paul, compra uma máquina de escrever e diz que a partir de agora ele irá dar o jeito de ressucitar Misery. Mas essa tarefa será mais dificil do que Paul imagina. Afinal não é fácil enganar a sua fã numero 1. Atenta a todos os detalhes de todos os livros. 
Na segunda parte "Misery" somos apresentados aos capítulos escritos por Paul. Para o seu espanto, retornar ao mundo de Misery está sendo mais fácil do que ele imagina. E não só isso, este é o seu melhor trabalho. Só que as mudanças de humor de Annie estão cada vez mais frequentes, e Paul enfim começa a saber mais da sua fã. E bem, descobre de uma forma curiosa que ela também está escrevendo um livro. Resta saber se ele realmente irá querer participar desse livro. E meu Deus! Tem uma cena nessa parte.. Chocante!!!
Na terceira parte "Paul" e na queria parte "Deusa" os eventos são eletrizantes. Tem uma cena na terceira parte de perder o fôlego. Confesso que eu não sabia de que nada estava hahaha me apeguei a Annie, confesso. 

"Escrever não causa sofrimento, mas é fruto do sofrimento." (Parte II - Misery)

Annie, apesar de completamente louca, foi uma personagem que me agradou. Confesso. A loucura dela, por vezes quase inocente, me causou empatia. Empatia que Pail não causou, apesar de me agoniar pela situação em que ele estava.
Talvez seja o fato de eu, assim como ela, me apaixono pelas histórias que leio muitas vezes de tal forma que nem mesmo eu consigo controlar, kkkk, e algumas decisões de autores me deixam chateada, mas que depois "supero" e esqueço. Claro que aqui lidamos com um indivíduo com uma patologia que a deixa vulnerável quanto ao controle de certas emoções. Mas o amor de Annie por Misery, a personagem que de alguma forma vive tudo aquilo que ela não viveu, não é tão impossível como Paul acha. 


"Não dá. Venho tentando adormecer há meia hora e não consigo. Escrever aqui é como uma droga. É a única coisa pela qual eu anseio. Hoje à tarde eu li o que escrevi... e pareceu vívido. Eu sei que parece vívido porque minha imaginação preenche as partes que outra pessoa não entenderia. Quer dizer, é vaidade. Mas parece magia... E eu simplesmente não posso viver neste presente. Eu enlouqueceria se o fizesse.

" (Parte III - Paul)

Confesso que o amor/ódio "mercenário" de Paul com Misery me causou ate mais asco do que as torturas de Annie com ele.
Será que tenho que levar isso pra minha terapia? Leiam "Misery" e me falem. 

"— Você vai ser visitada por uma pessoa alta e morena — disse a cigana a Misery. E Misery, espantada, compreendeu duas coisas ao mesmo tempo: a mulher não era uma cigana, e as duas já não estavam sozinhas na tenda. Ela sentiu o cheiro de Gwendolyn Chastain no instante em que as mãos da mulher insana se fecharam em sua garganta. — Na verdade — disse a cigana que não era cigana —, acho que ela está aqui agora. Misery tentou gritar, mas já não podia nem respirar." (Parte IV - Deusa)

Brincadeiras a parte, o livro é incrível! A construção dos personagens é super bem feita e meu deus! As cenas de tortura são de você se arrepiar e "sentir" no seu corpo as coisas que a Annie faz com o Paul. (segunda parte estou falando com você). Incriiiiiivel. Recomendo!!!

Sobre o autor


Stephen King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics incluindo Tales from the crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e as copiava com a ajuda de seu irmão David. King as vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar. De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine em Orono, onde ele escrevia uma coluna intitulada "King's Garbage Truck" para o jornal estudantil, o Maine Campus. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus influenciou muito em suas histórias, e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram histórias como "The Mangler" e o romance "Roadwork" (como Richard Bachman). 

Sobre a edição


Edição linda da Suma de Letras! Adorei essa capa, adorei a diagramação, adorei tudo.

Nas telinhas


O filme, lançado em 1990, foi dirigido por Rob Reiner e é estrelado por Kathy Bates que interpreta Annie Wilkes, o papel de Paul Sheldon, escritor o qual Annie Wilkes é obcecada é interpretado por James Caan (O Poderoso Chefão). 
Sinopse: Após sofrer um acidente em uma região isolada, um escritor é salvo por uma ex-enfermeira que é grande fã de seus livros. Entretanto, após saber que ele matou sua personagem mais famosa em seu próximo livro, ela passa a torturá-lo na intenção de fazer com que ele desista da decisão. Ela queima o livro anterior e o faz recomeçar outro. Logo,ele descobre o passado obscuro de Annie e passa a não confiar mais nela.






Obs: Kathy Bates ganhou o Oscar de melhor atriz por esse papel. Sendo assim a primeira atriz a ganhar o prêmio por um filme de suspense/terror.
Obs²:  O Instituto Americano do Cinema incluiu Annie Wilkes em sua lista de "100 Heróis e Vilões", posicionando-a em 17.° lugar.

Nota no Skoob




segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Resenha: Muito além das estrelas - Álvaro Cardoso Gomes

Muito além das estrelas
Autor: Álvaro Cardoso Gomes
Ano: 1997 
Páginas: 174
Editora: Editora Moderna
Sinopse: Que sentimento é esse que pode nos levar ao mais alto dos firmamentos e ao mais profundo dos infernos?
O que é amar alguém? Você sabe? Toninho sabe... E não se conforma com a morte de Regina, sua grande paixão. Agora ele quer trazê-la de volta, não importando o quanto custe! Se você ainda não sabe o que é o amor, acompanhe-o. Cada arrepio de suspense e terror vai mostrar a você o que é amar de verdade!


O que achei:

"O que é amar alguém? Você sabe? Toninho sabe."

Eu li "Muito além das estrelas" pela primeira vez quando estava na sexta série para uma peça na escola (em que fiz a Regina). Todos divididos em grupos e para o meu foi destinado a obra de Álvaro Cardoso Gomes. Quer saber? Eu agradeço até hoje por isso. Muito além das estrelas, apesar de ter aquela típica linguagem escolar, de fácil entendimento e com varias figuras, é um livro muito gostoso de ler... Tem uma história que prende e que, pelo menos pra mim, não enjoa! Eu acredito que já li este livro + de VINTE vezes! Minha mãe costumava chamá-lo de "livro de viagem" já que toda vez que viajamos para o interior, era este livro que eu pegava para passar aquelas horas. 
O livro é uma continuação de "Para tão longo amor", porém é importante ressaltar que não é precisa a leitura do livro 1 para o entendimento deste 2, em que gira em torno de como Toninho está lidando com a morte prematura de Regina (romance apresentado no primeiro livro). O livro se inicia com uma carta de Toninho para o autor. O agradecendo pela publicação de "Para tão longo amor" e que agora iria lhe contar uma história um pouco diferente. Algo que ele mesmo achava difícil de acreditar. Mas que ele esperava que o autor o entendesse e fosse o seu ouvinte dos acontecimentos no ultimo ano.

"Somente lhe peço muita compreensão, porque o que lhe vou contar foge ao senso comum e é fantástico demais, podendo assustar alguém que não seja como você, um escritor acostumado a mexer com o desconhecido. Acredite: o que vem escrito no caderno (que segue junto a minha carta)só tem uma explicação sobrenatural, apesar de ter realmente acontecido. Juro pela saúde de meus filhos! Os fatos são absolutamente verdadeiros, apesar de sobrenaturais."

Toninho conta como ele não estava conseguindo lidar com a sua falta. Em que seu único contato se dá com as suas visitas ate a casa da mãe da namorada para cuidar de suas rosas. Ate que Dona Berta diz que irá se mudar para outra cidade e Toninho fica devastado em perder a sua ultima ligação com Regina. 

"Por quê, Regina? Por quê? - perguntei chorando. 
Sentia-me como uma criança a quem tivessem roubado o brinquedo mais querido.
- Regina, volto a perder você outra vez."

Alguns dias depois, ele vê que uma clinica está sendo construída no local da casa, e meio a uma crise de desespero, Toninho bebe demais e vai ate o cemitério ate o túmulo de Regina. É ali, em meio a trovões e uma chuva eminente que Toninho promete a ela que irá buscá-la. Esteja onde ela estiver. A partir dai Toninho passa a ter pesadelos com os gnomos Dig e Dag, que em meio a enigmas e canções o levam para um jogo cada vez mais intenso. Que quase o leva a loucura. Baseado na história de Orfeu e Euridice, Toninho tenta buscar sua amada no vale da morte mesmo que isso custe a paz de quem ele mais ama.

"Eu sou o gnomo Dig.
Não muita coisa te digo.
Eu sou o gnomo Dag.
Por favor, pouco me indagues."

 "Muito além das estrelas" é inesquecível. Em meio a forças ocultas, pactos e crenças religiosas que vão fazer você acreditar no bem e no mal e no que achava ser impossível. É pesado, é profundo e com toques de Divina Comédia vai fisgar você. Recomendo muito a leitura desse belo exemplo de literatura nacional de qualidade! E claro, dar uma chance aos livros da época do colégio, porque ali podem estar verdadeiros tesouros.

 "Que sentimento é esse que pode nos levar ao mais alto dos firmamentos e ao mais profundo dos infernos?"

Sobre o autor


É formado em Letras pela USP, onde se tornou professor títular de Literatura Portuguesa. Especializou-se na literatura do final do século e em poesia e romance contemporâneo. Lecionou as cadeiras de Literatura Brasileira na Universidade da Califórnia em Berkeley e no Middlebury College e fez várias pesquisas em Portugal e nos Estados Unidos da América.

Álvaro Cardoso Gomes nasceu na cidade paulista de Batatais, em 1944, e viveu a adolescência em Americana, também no interior de São Paulo, que usa como o cenário das suas obras A hora do amor, Para tão longo amor e outras mais. Hoje mora em São Sebastião, no litoral paulista. É autor de diversos livros juvenis, além de livros de poesia, de contos, romances para adultos (entre eles O sonho da terra, que recebeu o Prêmio Bienal Nestlé

Sobre a edição


O estilo da edição é o comum da editora moderna. Com letras grandes e cheio de ilustrações. 

Nota no Skoob



Xx Beijos xX

sábado, 17 de outubro de 2015

Resenha: The Duke and I - Julia Quinn

The Duke and I (Bridgertons #1)
Autor: Julia Quinn
Ano: 2006 
Páginas: 384
Editora: Piatkus (ebook)
Sinopse: Simon Basset, o irresistível duque de Hastings, acaba de retornar a Londres depois de seis anos viajando pelo mundo. Rico, bonito e solteiro, ele é um prato cheio para as mães da alta sociedade, que só pensam em arrumar um bom partido para suas filhas. Simon, porém, tem o firme propósito de nunca se casar. Assim, para se livrar das garras dessas mulheres, precisa de um plano infalível. É quando entra em cena Daphne Bridgerton, a irmã mais nova de seu melhor amigo.
Apesar de espirituosa e dona de uma personalidade marcante, todos os homens que se interessam por ela são velhos demais, pouco inteligentes ou destituídos de qualquer tipo de charme. E os que têm potencial para ser bons maridos só a veem como uma boa amiga. A ideia de Simon é fingir que a corteja. Dessa forma, de uma tacada só, ele conseguirá afastar as jovens obcecadas por um marido e atrairá vários pretendentes para Daphne. Afinal, se um duque está interessado nela, a jovem deve ter mais atrativos do que aparenta.
Mas, à medida que a farsa dos dois se desenrola, o sorriso malicioso e os olhos cheios de desejo de Simon tornam cada vez mais difícil para Daphne lembrar que tudo não passa de fingimento. Agora ela precisa fazer o impossível para não se apaixonar por esse conquistador inveterado que tem aversão a tudo o que ela mais quer na vida.

O que achei

Primeiramente, eu pensava que este seria o meu primeiro contato com a autora, mas para a minha surpresa, antes a autora era lançada pela Nova Cultural e eu sou VICIADA em romances de banca desde a criança (haha sim sou estranha). Em uma olhadinha no Skoob vi que já havia lido o "História de um Grande Amor" (inclusive O duque e eu foi lançado também nesse formato. Tá vendo como não é pra ter preconceito com romances de banca? haha). Bom, não lembro muito dele então vou tratar The Duke and I (O duque e eu) como a minha primeira leitura.
O livro foi o sorteado do mês na TBR que eu tenho com as minhas amigas Monique e Danni (de escolha da Danni).


The Duke and I, primeiro volume da serie dos Bridgertons, conta a história da jovem Daphne, uma moça na idade de casar, mas que 
Daff é uma mocinha do tipo que eu amo, forte, engraçada e decidida! 
Simon é um duque marcado pelo desprezo do pai no passado, que não queria saber dele por considera-lo dévio pela sua gagueira na infância. O que fez com que esse se fechasse ao amor e aceitasse a libertinagem como destino da vida. 
Um dia, ao voltar a Londres encontra Anthony Bridgerton, seu amigo da faculdade, que o alerta das mães predadoras que estão loucas para casar as suas filhas. Inclusive a mãe de Anthony é assim, pois está a beira do desespero pelo fato de que após duas temporadas, Daphne não arranjou um casamento e está perto de se tornar uma "solteirona". Simon tem então a ideia de fingir um interesse na jovem para salvar ambos dessa cobrança. Já que assim irá trazer bons pretendentes para ela é deixar ele cumprir a promessa de nunca se casar em paz.
Mas ai ne? Lá vem ele. O danado do AMOR! Hahah. Simon começa a ver que o que sente pela jovem é muito mais do que fingimento. Mas será que as batalhas do passado deixarão ele ser feliz?
Simon é ainda atormentado por um ódio contra o pai que um dia o desprezou e assim tem o desejo de se vingar dele não se casando ou tendo filhos, fazendo assim com que o título de Duque (que era tão estimado pelo pai) se perca.

Meu deus que livro lindo!!! Aqueles que aquecem o coração é que você sente ele vibrar.
Adorei as notinhas da coluna da misteriosa Lady Whistledown no início de cada capitulo haha lembrei de Gossip Girl! Dá vontade de dar uns tapas na cara do Simon no final, mas como todo livro amorzinho, tudo da certo. A leitura é bem rápida, e eu confesso que eu não queria que acabasse então ia regrando a leitura haha. Ate que não deu mais e cá estou eu, 5:38 da manha escrevendo essa resenha! Apaixonada e arrasada que já acabou. 

Aqui no Brasil o livro foi publicado pela editora arqueiro, e eu já quero completar essa coleção para ONTEM! Ai to apaixonada ainda. Quero ler de novo! Recomendado!


Sobre a autora


Julia Quinn começou a trabalhar em seu primeiro romance um mês depois de terminar a faculdade e nunca mais parou de escrever. Seus livros já atingiram a marca de 8 milhões de exemplares vendidos, sendo 3,5 milhões da série Os Bridgertons. É formada pelas universidades Harvard e Radcliffe. Seus livros já entraram na lista de mais vendidos do The New York Times e foram traduzidos para 26 idiomas. Foi a autora mais jovem a entrar para o Romance Writers of America’s Hall of Fame, a Galeria da Fama dos Escritores Românticos dos Estados Unidos, e atualmente mora com a família no Noroeste Pacífico.

Sobre a edição


Infelizmente li no kindle. Na edição em inglês LINDA E FOFA lançada por uma editora chamada "Piatkus", que inclusive eu não vou descansar enquanto não conseguir a física. Como eu já tenho outro volume da série e amei TANTO esse, quero completar em português também.

Nota no Skoob



sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Resenha: O Retrato de Dorian Gray - Oscar Wilde

O Retrato de Dorian Gray
Autor: Oscar Wilde
Ano: 2005 
Páginas: 244
Editora: L&PM Pocket
Sinopse: O romance, de forte cariz estético, conta a história fictícia de um homem jovem chamado Dorian Gray na Inglaterra aristocrática e hedonista do século XIX, que torna-se modelo para uma pintura do artista Basil Hallward. Dorian tornou-se não apenas modelo de Basil pela sua beleza física (um "Adônis que se diria feito de marfim e pétalas de rosa"), mas também tornou-se uma fonte de inspiração para outras obras e, implicitamente no texto, uma paixão platônica por parte do pintor. Mas o seu retrato, que Basil não quer expôr por ter colocado "muito de mim mesmo", foi sua grande obra-prima.

O que achei:
"O verdadeiro mistério do mundo é o visível, não o invisível."


O Retrato de Dorian Gray é um grande clássico da literatura gótica. Publicado em 1891, o livro conta a história de Dorian, um rapaz muito belo e ingênuo. É objeto de devoção do pintor Basil Hallwart, que trabalha sem parar em retratos do belo jovem. Ate que um dia Basil recebe a visita do amigo Lorde Henry, que rapidamente se encanta também pelo jovem Dorian. Henry porém, contra a vontade de Basil, tem longas conversas com Dorian sobre a importância da beleza e da eterna juventude. Dorian logo fica fascinado pelo discurso de Henry.

“Sempre! E sta é uma palavra assustadora. Faz-me tremer quando a ouço. As mulheres gostam tanto de usá-la. E las estragam cada romance ao tentá-lo fazer durar para sempre. É , também, uma palavra sem sentido. A única diferença entre um capricho e uma paixão para a toda vida é que o capricho dura um pouco mais”

Dorian se apaixona por Sibyl, uma atriz. Porém, ao assisti-la atuar de forma distraída, perde o seu interesse e termina com ela a acusando de não ser nada daquilo que ele pensava. Sibyl roga que Dorian não a deixe, mas de nada adianta. Ao chegar em casa no entanto, olha o seu retrato e ali vê um leve ar de satisfação. Dorian fica imediatamente aterrorizado ao ver que o retrato está mudando e resolve que ninguém pode vê-lo e o cobre com um pano.
Uma noticia pior ainda chega no outro dia. Sibyl se suicidou.

E a partir dai a vida de beleza eterna de Dorian cobra um preço cada vez mais alto. Até onde irá?

"Lorde Henry o observava, com seu triste sorriso. Ele conhecia o momento psicológico preciso para não dizer nada. Ele se sentia intensamente interessado. Ele estava surpreso com a súbita impressão que suas palavras tinham causado e, lembrando-se de um livro que ele lera quando tinha dezesseis anos, que lhe revelara muito do que ele não conhecia antes, se perguntou se Dorian Gray estava passando pela mesma experiência. Ele apenas lançara uma flecha pelo ar. Atingira o alvo? Que rapazote fascinante ele era!"

Que coisa linda é a escrita do Oscar Wilde! Ao ler, era como se uma música vitoriana tocasse ao fundo e uns casais dançassem aquelas coreografias estranhas ao meu redor hahahaha incrível! Cada frase dita no livro soa tão bem que boa parte do livro li em voz alta. 

“Como isso é triste!”, murmurou Dorian Gray, com seus olhos ainda fixos em seu próprio retrato. “Como isso é triste! Deverei envelhecer, e ficar horrível e assustador. M as este retrato sempre permanecerá j ovem. Nunca ficará mais velho do que neste dia particular de junho... se fosse ao contrário! Se fosse como eu sempre ficar j ovem e o retrato envelhecer! Por isto – por isto – eu daria qualquer coisa! Sim, não há nada em todo omundo que eu não daria!”

Os personagens sao escritos com cuidado, os mínimos detalhes são trabalhados. Henry (ou Harry) é um personagem interessante de se analisar, pois é dele o papel de despertar Dorian Gray para o lado do hedonismo, o prazer como o bem supremo da vida, em que o modo de obtenção desse prazer pouco importa perto do gozo completo. Lorde Henry é aquele personagem próximo de asqueroso, porém não há nada que ele diga que não seja verdade. Sem a hipocrisia de se importar com os sentimentos alheios. A verdade que era tanto ali naquela sociedade vitoriana como na atualidade que vivemos.

"É como pintar a tristeza
Um semblante sem coração."

Este é um livro muito usado em discussões e artigos na área da Psicanálise. Eu, como psicóloga, confesso que fiquei louca para abordar alguns pontos sobre a obra como o narcisismo, o estádio do espelho, a perversão e até mesmo a psicose. Mas, o meu intuito com as resenhas do blog não é fazer esse tipo de análise.. Mas existem muitos artigos na internet se caso alguém fique interessado! Recomendo!

Sobre o autor

Nasceu em 16 de outubro de 1854 em Dublin, Irlanda. Filho de William Robert Wilde, cirurgião-oculista que servia à rainha. Sua mãe, Jane Speranza Francesca Wilde, escrevia versos irlandeses patrióticos com o pseudônimo de Speranza. Foi educado no Trinity College, Dublin e mais tarde em Oxford. Lá ele recebe a influência de Walter Pater e da doutrina da "arte pela arte". Em 1879, vai para Londres, para estabelecer-se como líder do "movimento estético". Em 1881 é publicada uma coletânea de seus poemas. Em 1882, sem dinheiro, aceita participar de um ano de viagens entre USA e Canadá. Essa viagem lhe rendeu fama e fortuna.



Sobre a edição: Eu li na edição pocket, sendo assim o texto é feito em formatação simples , paginas brancas e com margens pequenas. Desejo comprar no futuro a edição lançada pela editora Biblioteca Azul que é linda demais! Em capa dura e também tem o texto sem censura e com anotações.

Nas telinhas

Que eu tenha encontrado, o livro foi adaptado para o cinema oito vezes. Em 1945, 1970, 1973, 1976, 1983, 2001, 2004 e 2009. Do qual três são "adaptações para a atuailidade" daquelas tão baseadas que quase não dá pra ver a obra haha. A adaptação de 2009 foi a única que eu assisti, mas pretendo ver a mais antiga que dizem ser a mais fiel.


 

 


Nota no Skoob:


xX Beijos Xx

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Resenha: Mar Morto - Jorge Amado

Mar Morto
Autor: Jorge Amado
Ano: 2008
Páginas: 288
Editora: Companhia das Letras
Sinopse: A vida dos marinheiros no cais de Salvador, com sua rica mitologia que gira em torno de Iemanjá, é o tema central de Mar morto, um painel lírico e trágico sobre a luta diária desses trabalhadores pela sobrevivência. Personagens como o jovem mestre de saveiro Guma parecem prisioneiros de um destino traçado há muitas gerações: os homens saem para o mar que um dia os tragará, levando-os com Iemanjá para as lendárias terras de Aiocá, e as mulheres os esperam resignadas no cais. No dia em que eles não voltarem, elas cairão na miséria ou na prostituição. Lívia, amada que busca em vão libertar Guma do chamado do mar, desempenhará um papel pioneiro na mudança de condição da mulher.  Em torno de Guma e Lívia entrelaçam-se os dramas de inúmeros personagens muito vívidos: do preto Rufino e sua volúvel mulata Esmeralda; do velho Francisco, tio de Guma, que conserta redes desde que se tornou incapaz de enfrentar o mar; da valente e desbocada Rosa Palmeirão, de punhal no peito e navalha na saia. É com grande lirismo que Jorge Amado narra esse cotidiano de trabalho árduo, marcado pelo risco de vida que se apresenta a todo momento. Em Mar morto, homens e mulheres do cais da Bahia vivem cada dia como se fosse o último. Paixão e trabalho, instinto e sobrevivência se conjugam de maneira trágica.

O que achei

"Mar morto", romance publicado em 1936 é uma das principais obras de Jorge Amado.
Este foi o meu primeiro livro do autor e de início, confesso que me incomodou a repetição de algumas palavras na mesma frase, aquele estilo de escrever diferente do que eu estava acostumada. Ate que eu realmente prestei atenção na sonoridade (as vezes quando eu não estou entendendo algo, eu leio em voz alta) e vi que ali tinha uma sonoridade literária. Uma coisa meio cantada. Que depois, ao invés de achar estranho, passei ate a achar que deixou os capítulos mais bonitos. 

"O mar é amigo, o mar é doce amigo para todos aqueles que vivem nele. E Lívia sente o gosto de mar da carne de Guma. O "valente" balança como uma rede. Uma voz, que não se sabia ao certo de onde vinha, cantava: É doce morrer no mar."

E que coisa linda é a escrita do Jorge Amado. É tão bonito o orgulho que ele passa da terra através da escrita dele. E pensar que ele tinha somente 24 anos quando escreveu Mar Morto! A forma que ele descreve aquele povo dali, aquele povo sofredor, e que mesmo com tanta dificuldade não deixa de seguir o seu acreditando no seu destino. Que é morrer no mar. Eu sou uma grande amante de histórias mitológicas, e é isso que Jorge Amado nos apresenta. A mitologia daquele lugar. Em que uma deusa do mar, Iemanjá, ou Janaina, é quem ama e castiga os seus filhos. 
Aqui conhecemos uma história de amor. O amor de Lívia e Guma. Da vida difícil dos trabalhadores do mar. Da dor da espera das suas amadas no cais. Da duvida se os seus amantes, maridos, amados chegarão bem ou se seguirão o seu destino e serão levados pela Iemanjá. A deusa do mar. Aquela que sempre deseja que os seus filhos venham, mais cedo ou mais tarde, ao seu encontro no mundo das águas. 
Os personagens são muito bem construídos. E até aqueles que não aparecem tanto tem a sua importância na trama. E que personagem maravilhosa é Esmeralda, a mulata do negro Rufino, que ao mesmo tempo você odeia e também ama. Incrível.

O romance aqui não é aquele velho romance água com açúcar. É real, é carne e coração. É verdadeiro, mas é fraco. É fraco, mas é forte. É curto, mas é eterno.

O livro é dividido em três partes: "Iemanjá, dona dos mares e dos saveiros", "O paquete voador" e "Mar Morto" e todos os três são subdivididos em vários capítulos. 

"Mar Morto" é um livro belo. Poético e, assim como uma canção, nos embalam entre as suas páginas e nós levam para longe de tudo. É cheio de tragédia, de paixão e de intrigas. Um prato cheio.

Bem. Assim contavam na beira do cais. 

Este livro foi empréstimo da minha amiga do @umdiamelivro na nossa troca de livros favoritos. Obrigada Amiga pela bela experiência de leitura! 

"O canto vinha de longe
De la do meio do mar
Não era canto de gente
Bonito de admirar

O corpo todo estremece
Muda cor do céu do luar

Um dia ela ainda aparece
É a rainha do mar

Yemanja Odoiá Odoiá
Rainha do mar 

Quem ouve desde menino
Aprende a acreditar
Que o vento sopra o destino
Pelos caminhos do mar

O pescador que conhece
as historias do lugar
morre de medo e vontade
de encontrar Yemanja ♪

Sobre o autor


Jorge Amado foi um dos mais famosos e traduzidos escritores brasileiros de todos os tempos. Ele é o autor mais adaptado da televisão brasileira, verdadeiros sucessos como Tieta do Agreste, Gabriela, Cravo e Canela e Teresa Batista Cansada de Guerra são criações suas, além de Dona Flor e Seus Dois Maridos e Tenda dos Milagres. A obra literária de Jorge Amado conheceu inúmeras adaptações para cinema, teatro e televisão, além de ter sido tema de escolas de samba por todo o Brasil. Seus livros foram traduzidos em 55 países, em 49 idiomas, existindo também exemplares em braille e em fitas gravadas para cegos.

Amado foi superado, em número de vendas, apenas por Paulo Coelho mas, em seu estilo - o romance ficcional -, não há paralelo no Brasil. Em 1994 viu sua obra ser reconhecida com o Prêmio Camões, o Nobel da língua portuguesa. 

Sobre a edição


A edição que a Andresa me emprestou é a comemorativa de 100 anos, da editora Companhia das Letras. A editora caprichou como sempre. A diagramação é ótima e confortável para ler. Adorei! Quero ler os outros livros do Jorge dessa mesma edição ♥

Nas telinhas:

Mar Morto foi adaptado para uma novela (junto com A descoberta da América Pelos Turcos) da Rede Globo com o nome de "Porto dos Milagres" e escrita pelos autores Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares. Foi transmitida no ano de 2001 com Marcos Palmeiras como Guma, Flávia Alessandra como Lívia e a gatissima Camila Pitanga como a Esmeralda. Foi na época um grande sucesso de audiência. 





A abertura da novela era embalada pela música "Caminhos do Mar" da cantora Gal Costa. Eu amava!

Nota no Skoob


XX Beijos XX

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Resenha: Grandes Esperanças - Charles Dickens

Grandes Esperanças
Autor: Charles Dickens
Ano: 2010 
Páginas: 656
Editora: Abril
Sinopse: A vida de Pip, órfão criado pela irmã num ambiente de pobreza, é radicalmente alterada quando um misterioso benfeitor lhe doa uma fortuna. Sua mudança para Londres, o esforço para tornar-se um cavalheiro, as grandes esperanças e certos dilemas morais tornam este romance de Dickens leitura inesquecível.



O que achei

"Deus sabe que nunca devemos nos envergonhar de nossas lágrimas, pois elas são a chuva que dispersa a poeira ofuscante da terra, que recobre nossos corações empedernidos."

Claro que o centésimo livro lido do ano tinha que ser um livro especial não é?


Grandes Esperanças é um dos livros mais famosos do Charles Dickens e quando ele foi sorteado para o desafio da Rory Gilmore eu senti o peso de ler um clássico dessa importância. Com 656 páginas, não tão grande assim, ele ocupou um longo tempo de leitura. Acredito que eu demorei quase dois meses para lê-lo por completo. Por que? Não sei. 
Em alguns momentos durante a leitura, senti que este não era o momento de ler este livro. Mas mesmo assim insisti. Acredito que talvez o livro me tocava de uma forma que eu julguei não estar preparada.
A narrativa é rica, bem explorada e encantadora. Os personagens são extremamente bem explorados e a crítica social está ali presente todo o tempo. E trazendo para a atualidade, é incrível como ainda hoje o homem é o mesmo. Só que com a tecnologia ao seu favor. 
O livro é dividido em três partes:

Pip e Abel
Na primeira somos apresentados a infância de Philip Pirrip, ou Pip que após a morte dos pais é criado por uma irmã malvada e o seu bondoso marido, o ferreiro Joe. Tudo muda quando recebe uma grande fortuna de um benfeitor anônimo cujo nome não pode ser revelado. Esta grande fortuna faz com que os membros da aldeia onde mora e do próprio garoto mudem completamente, pois ele começa a se envergonhar de sua origem humilde. 


Na segunda parte, Pip de muda para Londres onde será educado por um tutor para se transformar em um cavalheiro. É em Londres que Pip passa a conhecer as tentações de uma cidade grande e assim passa a abandonar o que foi no passado. E lidar com algumas consequências de suas ações com Joe.


Na terceira parte, Pip descobre enfim a identidade do seu benfeitor. O que lhe causará arrependimentos sobre as suas ações do passado. 
Esta parte por ser cheia de revelações, é difícil comentar muito. Mas já adianto que este livro contém uma das cenas mais lindas que eu já li ate hoje! O livro é cheio de personagens interessantes como o ferreiro Joe, a Srta. Havisham, uma mulher rica que foi abandonada pelo noivo nunca mais viu a luz do dia ou usou outra coisa que se não o vestido de noiva, o detento abel que logo no início do livro o coloca em uma situação difícil e o grande amor de Pip, Estella. 



"Eu vou lhe contar" disse ela, no mesmo murmúrio apaixonado e precipitado, "o que é o verdadeiro amor. É devoção cega, abnegação inquestionável, submissão absoluta, convicção e confiança contra vocês mesmo e contra o mundo inteiro, entregando sua alma e seu coração inteiro ao torturador... como eu fiz"


Grandes Esperanças é um livro encantador, triste, belo e verdadeiro. Sobre o resgate do seu verdadeiro eu, da sua moral, dos seus objetivos reais. 


"Nenhum trapaceiro na face da terra nos engana tão bem quanto o trapaceiro que existe em nós, e com tais pretextos eu enganava a mim mesmo."

Sobre o autor


Charles John Huffam Dickens foi o mais popular dos romancistas da era vitoriana e contribuiu para a introdução da crítica social na literatura de ficção inglesa. A fama dos seus romances e contos pode ser comprovada pelo fato de todos os seus livros continuarem a ser editados. Entre os seus maiores clássicos destacam-se "Oliver Twist", "A Christmas Carol" e "David Copperfield". Dickens era filho de John Dickens e de Elizabeth Barrow. Educado por sua mãe, tomou gosto pelos livros. Durante três anos freqüentou uma escola particular. Contudo o seu pai foi preso por dívidas e, ainda adolescente, Dickens teve que trabalhar em uma fábrica que produzia graxa para sapatos. Alguns anos depois, a situação financeira da família melhorou, graças a uma herança recebida pelo pai. Mas sua mãe não permitiu que ele saísse logo da fábrica, o que fez com que Dickens não a perdoasse por isso. As más condições de trabalho da classe operária tornar-se-iam um dos temas recorrentes da sua obra.

Sobre a edição


Eu li pela edição da abril que é uma coisa linda. Capa dura, páginas amareladas. Eu achei muito "mole" para um livro tão grosso, então acredito que a edição não irá durar muito tempo. Li no kindle (no trabalho não tem condições haha) com a edição da Penguin. Muito bem feita e organizada.

Nas telinhas: Entre peças de teatro, séries de TV, filmes do cinema mudo e longas, a obra já foi adaptada 20 vezes (!!!). Eu não lembro de ter visto alguma, porém a mais recente foi lançada em 2012 estrelado por Jeremy Irvine, Helena Boham Carter, Holliday Grainger, Jessie Cave e Jason Flemyng.



Sinopse: O filme conta a história de um rapaz que é apaixonado por uma bela mulher que é extremamente fria para com ele. O filme é a modernização do clássico de Charles Dickens sobre o órfão Bell e seu amor pela bela e fria Estella, criada por uma mulher cruel que busca vingança contra os homens por ter sido abandonada à beira do altar, e o misterioso benfeitor que muda o destino do rapaz. 







Obs: Desejo do momento é eu conseguir achar a adaptação da BBC One que conta com a minha musa Gillian Anderson no elenco! 



Nota no Skoob

Alguém já leu? Me contem o que acharam. Beijos! 

Ilustrações foram retiradas de Sementes de Papoula